A MEDIDA CERTA



Sukhí Hôtu!


Nesta semana que hoje se encerra, tive duas reflexões sobre "a medida certa" das coisas em nossa vida diária... Uma, infelizmente, foi sobre uma senhora, veterana na mídia do Buddhismo, assumindo o "cargo de embaixadora" de uma grande produtora de intoxicantes - bebidas alcoólicas - supostamente para pregar a "moderação" do consumo. "Beba com moderação" é tão absurdo e subjetivo quanto "mate pouco" ou "cheire pouca cocaína" etc. Além de "moderação" ser algo impossível de definir, o consumo de substâncias intoxicantes é totalmente incompatível com a prática do Buddhismo, não importa em qual Tradição, portanto, nem com "moderação" nem com excesso, o Buddhismo permite o consumo de qualquer intoxicante, seja um simples cigarro ou uma dose de vinho, muito menos coisas mais fortes, assim, alguém que se diz monja, ser cúmplice da intoxicação mental das pessoas, é absolutamente vergonhoso...


Passando para a segunda reflexão, felizmente não desagradável, orientei um seguidor que estava com sua prática buddhista em excesso. Se forçar, exigir demais de si mesmo, tender para a austeridade a ponto de cansar a mente e levar o corpo ao cansaço, também não é correto! Não podemos ser nem preguiçosos, desleixados e negligentes, nem nos forçarmos demais, ou logo logo vamos nos decepcionar com a falta de progresso no processo de Purificação Mental e frustrados, acabar deixando de vez a prática.


Essas duas reflexões sobre "a medida certa" de cada coisa, justamente nesta semana, fez surgir "do nada" (como se houvesse isso!) um texto do grande mestre, o Ven. Ajahn Phra Thêp Jayasaro ("djayassárôo"), exatamente sobre "a medida certa" das coisas da vida e como podemos tentar identificar e alcançar a verdadeira moderação - não a da AMBEV - no nosso dia a dia. Confiram!


Ajahn Sunanthô


A MEDIDA CERTA


"Qual é a medida certa? Talvez não muito, mas também não de menos? Saber se a quantidade está correta é uma das habilidades mais importantes para a vida, embora raramente seja reconhecida como tal. Não há uma resposta definitiva para a pergunta sobre a quantidade certa, tudo depende de uma pessoa e do contexto em particular. E mesmo para uma pessoa, a quantidade certa em diferentes áreas da vida não será permanente. De quanta comida, descanso e entretenimento precisamos? Quanto dinheiro? Quantos funcionários?


A maioria dos sinais que recebemos da sociedade de consumo diz: ′ ′ Quanto mais, melhor! "Isso vem com a suposição instintiva de que algo que nos dá prazer é bom para nós. Para encontrar a quantidade certa ou ideal, você precisa constantemente lembrar-se das verdadeiras necessidades do corpo e da mente.


Para enraizar um hábito em si mesmo, sempre se perguntar qual é a quantidade certa para o momento é vital. Ao fazer isso, desenvolvemos uma sensibilidade que nos impede do cativeiro da ganância. Por exemplo, para curtir algo, é melhor parar em algum momento, pelo menos por um tempo até que você queira de novo."

08/10/2021


(Traduzido para o Português por Ajahn Sunanthô)

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