SOBRE A TRANSITORIEDADE DE NOSSA EXISTÊNCIA…

Atualizado: Abr 17



Sukhí Hôtu!


Mesmo as plantas, que não têm consciência da própria existência e simplesmente reagem a estímulos, de alguma forma valorizam a vida, se voltando em direção ao Sol e movendo suas raízes em busca de água e nutrientes. Nós, humanos, assim como todos os animais do mundo, temos a vida como principal valor. Todos queremos viver e ninguém gosta realmente de pensar em envelhecer e morrer! A ciência é incansável na busca de todo tipo de medicamento, tratamento ou fórmula para aumentar a longevidade e há até milionários que acham que se forem congelados poderão ser ressuscitados no futuro, dando continuidade à vida. O fato é que, querendo ou não pensar sobre a morte, ela faz parte da existência de todas as coisas. Até mesmo os objetos estão “morrendo”, já que calor, umidade, poeira e tantos outros fatores fazem com que tudo esteja se deteriorando diante de nós. Vida e morte caminham juntas e não há nada de terrível ou assustador nisso, apenas é assim!


As pessoas, com visão distorcida, comemoram e festejam o nascimento de um bebê e se lamentam e choram quando alguém morre, como se fossem coisas separadas quando, na verdade, o primeiro segundo do que chamamos de CONCEPÇÃO, o momento em que o espermatozoide fecunda um óvulo, já é a contagem regressiva para o fim da vida do ser que começa a se formar. Todo um processo vai se repetir, já que na ótica buddhista (budista), estamos renascendo há zilhões de anos. Um feto vai começar a se formar, vai se tornar um bebê que, se tudo correr bem, em nove meses sairá do ventre da mãe e terá que enfrentar o mundo, com todas as dificuldades que conhecemos bem! (Não vejo nada que se possa festejar…) Na contagem regressiva que mencionei, o bebê vai envelhecer, adoecer e – inevitavelmente – morrer! Isso vem se repetindo há bilhões de anos e, mesmo assim, as pessoas continuam tão profundamente apegadas à existência, que se recusam a ver a realidade dos fatos.


Não há nada o que possamos fazer para evitar esse ciclo, porque é contra a natureza das coisas tentar mudar o imutável. Em todas as partes do planeta, a única coisa que se mantém certa e PERMANENTE é a IMPERMANÊNCIA! Essa aparente contradição, é tudo o que temos: tudo é permanentemente IMPERMANENTE, tudo e todos estamos em constante decadência, num processo de deixar de existir. Para milhões de pessoas é altamente lucrativo esse pavor que as pessoas têm de deixarem de existir. Há todo tipo de indústria que enriquece graças à obsessão das pessoas pela ilusão de que vão durar para sempre, de que vão driblar a morte e continuarem para sempre unidas aos seus bens materiais e às pessoas amadas.


Cosméticos, suplementos vitamínicos, cirurgias, produtos milagrosos, centros de beleza e de saúde física e até terapias esotéricas que prometem longevidade, tudo isso é apresentado às pessoas que, tolas, não veem (ou fingem não ver!) que estão sendo enganadas. O Buddhismo (Budismo) nos ensina que somos uma MENTE, uma forma de energia, em constante estado de mutação (e portanto, impermanente em sua natureza) que habita uma matéria física, em decomposição, à qual chamamos, convencionalmente, de corpo e sobre a qual criamos o falso conceito de que é um “eu”. Nos iludimos tão profundamente que passamos a acreditar que nessa impermanência toda, há algo de imutável, algo que não vai se acabar, algo que não esteja em decadência e constante decomposição.


Na Ásia, há várias práticas meditativas e contemplativas para nos auxiliarem a desfazer esse falso conceito de um EU PERMANENTE, de um corpo que não vai se dissolver etc. Muitas pessoas observam cadáveres em decomposição, por exemplo. Chocante?? Nojento?? Assustador?? Somente se não conseguirmos ver a nós mesmos refletidos na matéria orgânica se decompondo! Se formos capazes de entender que todos passaremos por isso, tudo fica mais fácil. Melhor seria se, ao nos observarmos no espelho, em casa mesmo, sem precisarmos ir a um necrotério, fossemos capazes de observar nossas rugas, nossas gorduras, nosso cabelo cada vez mais branco e escasso, nossa realidade desmascarada, à luz da realidade. Enquanto houver mulheres que se preocupam em só tirar a maquiagem depois que o marido dorme e se levantam bem antes dele para terem tempo de se maquiarem novamente e não deixarem NUNCA o marido ver o rosto delas como realmente é, estará claro que o ser humano está distante de entender as coisas do modo como o Buddha (Buda) nos ensinou…


Resta o trabalho de formiguinha, de que mais e mais pessoas possam entender a mensagem do Buddhismo e passarem a ver vida e morte como algo único, tranquilo, natural e totalmente aceitável. Assim, se observando e se aceitando, com rugas, gorduras e calvícies, terão mais tempo para se ocuparem da purificação mental, do treinamento da mente para tornarem a vida menos inquieta, menos sofrida porque, quem aceita a si mesmo, tem maior facilidade de aceitar o outro e compreender a verdadeira natureza de todas as coisas – a impermanência!


Fiquem todos em Paz e protegidos!


Monge Sunanthô Bhikshú

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