A VIRTUDE DA COMPAIXÃO



Sukhí Hôtu!


Quando crianças, nossos pais ou quem quer que tome conta de nós, faz tudo para que estejamos bem cuidados. Não precisamos pensar no que comer, nem em que horário. Tampouco decidimos que roupa comprar, onde comprar, de que cor ou quando usar. Simplesmente alguém nos chama e nos veste sem qualquer necessidade de pensarmos ou nos preocuparmos com isso.


Não sabemos nada sobre contas, saldo bancário, estudo, emprego, mercado de trabalho… Somos apenas conduzidos por outras pessoas e assim, embora não saibamos, geralmente somos felizes.

Durante a infância também somos ensinados a fazer coisas. Nossos responsáveis dizem quando devemos ser gratos, quando devemos ficar calados, quando temos que cumprimentar os amiguinhos e as pessoas mais velhas. A isso se chama processo educacional, uma série de regras comportamentais que é dever dos adultos transmitir às crianças, para que cresçam como pessoas prontas para viverem em sociedade.


Há porém, algumas coisas que nem sempre nos são ensinadas pelos adultos e é uma grande benção quando aprendemos desde a infância mas, geralmente acabamos tendo que desenvolver por nós mesmos. São sentimentos, valores morais, virtudes. Uma delas é a COMPAIXÃO.


O Buddhismo (Budismo) enfatiza muito a compaixão e, por isso mesmo, acaba de certa forma se tornando banalizada, como se fosse algo simples de ser praticada, tão simples que podemos deixar para depois, já que a qualquer hora podemos nos tornar compassivos… Será? Não! Não é bem assim. Na verdade, compaixão é algo bem complicado, que deve ter a prática iniciada aos poucos, com muita consciência e profundo comprometimento. Não é numa bela manhã de sol que alguém acorda compassivo e continua assim para sempre. Muito pelo contrário!


Porém, se cada um tiver o firme propósito de praticar, de exercitar a compaixão, da mesma forma que exercitou o uso do garfo e faca, substituindo a colher “de aviãozinho” que alguém levava até nossa boca, Poderemos sim, nos tornarmos realmente compassivos. Mas, como iniciar tal prática? É simples: quantas vezes você se preocupou em ligar para um colega que estava doente e perguntou se a pessoa está se sentindo melhor? Se já fez isso uma ou mais vezes, você já é uma pessoa compassiva em potencial!


E se foi uma prova? Um Enem, um vestibular, um concurso qualquer? A pessoa estava nervosa, insegura, esperançosa de passar… Você alguma vez se lembrou de ligar e perguntar se foi bem sucedida? É nesses pequenos atos, aparentemente bobos, porém tão importantes para O OUTRO, que nós começamos a exercitar a compaixão.


Compaixão é se colocar no lugar do outro, é pensar no outro, é dar ao outro a atenção que gostaríamos de receber e disso, muito pouca gente se lembra. Todos querem receber atenção, querem que os outros se importem, mas muito poucos são os que tomam a iniciativa de realmente pensar no outro.


Se cada um, após ler esta matéria, pensar por alguns minutos em como poderia começar a exercitar a compaixão, com certeza vai achar algum meio simples, eficiente e imediato para isso. O bom desse exercício, é que ele faz bem a nós mesmos e à pessoa que recebeu a prática compassiva. Uma sensação única de que algo correto foi feito, de que beneficiamos a alguém, sem termos que gastar dinheiro ou fazer algo de muito esforço… É assim que se começa a ser compassivo.


“Liguei só para saber se você está bem, porque gosto de você!” “Estou mandando esta mensagem para saber se você passou naquela entrevista de emprego, porque estava torcendo por você!” São coisas tão simples que podem ser imensamente importantes para o outro e, ao tentar, a gente fica vendo o quanto é bom esse exercício de compaixão.


Talvez não possamos fazer algo pelo derretimento da calota polar… Talvez não dê para salvarmos as baleias Jubarte ou a fauna do Pantanal. Mas, se por causa disso, acharmos que não podemos fazer nada por ninguém, isso nos leva a uma situação de comodismo irreal e egoísta. Há muito o que podemos fazer por centenas de pessoas, mas, acima de tudo, é preciso querer começar. Depois de iniciado o exercício da compaixão, tudo vai ficando mais fácil e vemos que nossa vida, assim como as vidas daqueles à nossa volta, vão ficando muito melhores!


Fiquem todos em Paz e protegidos!


Ajahn Sunanthô Therô

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