ALAGADDÚPAMA SUTRA: O ENSINAMENTO DA SÍMILE DA COBRA

Atualizado: 28 de Ago de 2018



Dàjiā hǎo!


Iniciamos o estudo deste Sutra, no qual um Bhikshú (monge buddhista) chamado Arittha, declara a seus colegas que o Buddha está equivocado ao afirmar que é impossível ser monge e continuar apegado aos prazeres deste mundo. Segundo Arittha, com sua visão distorcida dos Ensinamentos, os prazeres sensuais não dificultam o cultivo mental.


Após tentarem, inutilmente, mudar a opinião de Arittha, os monges decidem levar o caso ao Buddha. Assim, com base na visão errada daquele monge, o Bhagaván começa a usar uma série de símiles (comparações) para reforçar a importância de entender corretamente o Ensinamento, sem distorções e sem fé cega, mas através da prática na vida diária. Vamos ao Sutra, lembrando que BUDDHISMO É QUESTIONAMENTO, AVERIGUAÇÃO, INVESTIGAÇÃO. ESTUDAR UM SUTRA É, NECESSARIAMENTE, PERGUNTAR, COMENTAR E INTERAGIR COM O MONGE QUE O ESTÁ TRANSMITINDO.


Majjhima Nikaya 22


ALAGADDÚPAMA SUTRA

O Ensinamento da Símile da Cobra


Traduzido para o Português em Linguagem Simples, com explicações entre parênteses e comentário por Gokai Sensei


Assim me foi transmitido oralmente (एवं मया श्रुतम्).

Em certa ocasião uma ideia perniciosa havia surgido na mente de um Bhikshú (monge buddhista) chamado Arittha, que antes havia sido um matador de abutres: “Da forma como eu entendo o Dharma (Ensinamento do Buddha) ensinado pelo Bhagaván, aquelas coisas que o Bhagaván chama de obstruções (que atrasam o cultivo mental) não são capazes de obstruir alguém que se ocupa com elas.”


Outros Bhikshús, ao saberem disso, foram até o Bhikshú Arittha e perguntaram: “Amigo (Ávussô, em Língua Páli) Arittha, é verdade que essa ideia perniciosa surgiu na sua mente?”


“Exatamente, amigos. Da forma como eu entendo o Dharma (Ensinamento do Buddha) ensinado pelo Bhagaván, aquelas coisas que o Bhagaván chama de obstruções não são capazes de obstruir alguém que se ocupa com elas.”


Então aqueles Bhikshús, na tentativa de que ele mudasse de ideia, o pressionaram, questionaram e examinaram da seguinte maneira: “Amigo Arittha, não diga isto. Não deturpe as palavras do Bhagaván; não é bom deturpar o Ensinamento do Bhagaván. O Bhagaván jamais teria dito tal coisa. Porque, várias vezes o Bhagaván declarou como as coisas obstrutivas são obstruções, e como elas são capazes de obstruir quem se ocupa com elas. O Bhagaván ensinou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile do osso o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental (DUKKHA, em língua Páli), muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile do pedaço de carne o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da tocha de capim o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da cova de carvão em brasa o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile dos sonhos o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile das mercadorias emprestadas o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da árvore cheia de frutos o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile do matadouro o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da espada o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da cabeça da cobra, o Bhagaván declarou como os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm.


Mesmo tendo sido pressionado, questionado e examinado, o Bhikshú Arittha, anteriormente um matador de abutres, ainda assim, obstinadamente manteve sua ideia perniciosa e continuou insistindo nela.


Visto que os Bhikshús não conseguiram fazer com que ele se livrasse dessa ideia perniciosa, se dirigiram ao Bhagaván e depois de demonstrarem respeito, fazendo três prostrações, sentaram a um lado e relataram o que havia ocorrido: “Vantê (Venerável Senhor), visto que não conseguimos fazer com que o Bhikshú Arittha, anteriormente um matador de abutres, se livrasse dessa ideia perniciosa, estamos reportando este assunto ao Bhagaván.”


Então o Bhagaván falou assim a um dos Bhikshús: “Venha, Bhikshú, diga em meu nome, ao Bhikshú Arittha, anteriormente um matador de abutres, que o Mestre o chama.” “Sim, Vantê,” ele respondeu e foi até o Bhikshú Arittha e lhe disse: “O Mestre o chama, amigo Arittha.”


“Sim, Amigo,” respondeu, foi até o Bhagaván e após demonstrar respeito, fazendo três prostrações, sentou a um lado. O Bhagaván então lhe perguntou: “Arittha, é verdade que a seguinte ideia perniciosa surgiu em você: ‘Da forma como entendo o Dharma (Ensinamento do Buddha) ensinado pelo Bhagaván, aquelas coisas que o Bhagaván chama de obstruções do cultivo mental não são capazes de obstruir alguém que se ocupa com elas?’


“Exatamente, Vantê. Do modo como entendo o Dharma (Ensinamento do Buddha) ensinado pelo Bhagaván, aquelas coisas que o Bhagaván chama de obstruções não são capazes de obstruir alguém que se ocupa com elas.”


“Homem tolo, para quem você me viu ensinar o Dharma (Ensinamento do Buddha) dessa forma? Homem tolo, várias vezes não declarei como as coisas obstrutivas são obstruções, e como elas são capazes de obstruir quem se ocupa com elas? Declarei que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile do osso o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile do pedaço de carne o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da tocha de capim o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da cova de carvão em brasa o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile dos sonhos o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile das mercadorias emprestadas o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da árvore cheia de frutos o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile do matadouro o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da espada o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo eles contêm. Com o símile da cabeça da cobra, o Bhagaván declarou como os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo eles contêm. Mas você, homem tolo, deturpou o Ensinamento com o seu entendimento incorreto, causou prejuízo para si mesmo e acumulou muito mau karma; pois isto lhe causará dano e inquietação mental por um longo tempo.”


Então, o Bhagaván falou assim aos Bhikshús: “Bhikshús, o que vocês pensam? Este Bhikshú Arittha, anteriormente um matador de abutres, foi capaz de demonstrar alguma Sabedoria sobre este Dharma (Ensinamento do Buddha) e Disciplina?


“Como poderia ele, Vantê? Não, Vantê.”


Quando isto foi dito, o Bhikshú Arittha, anteriormente um matador de abutres, permaneceu sentado em silêncio, consternado, com os ombros caídos e a cabeça baixa, deprimido e sem saber o que dizer. Então, vendo isso, o Bhagaván lhe disse: “Homem tolo, você será reconhecido por sua própria ideia perniciosa. Eu questionarei os Bhikshús sobre este assunto.”


O Bhagaván falou assim aos Bhikshús: “Bhikshús, vocês compreendem o Dharma que eu ensino da mesma forma como este Bhikshú Arittha compreende, deturpando com o seu entendimento incorreto e causando dano para si mesmo e acumulando muito mau karma?”


“Não, Vantê. Pois diversas vezes o Bhagaván declarou como as coisas obstrutivas são obstruções, e como elas são capazes de obstruir quem se ocupa com elas. O Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm.”


“Muito bem Bhikshús. É bom que compreendam dessa forma o Dharma que eu ensino. Pois em muitos discursos declarei como as coisas obstrutivas são obstruções, e como são capazes de obstruir quem se ocupa com elas. Declarei que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Mas este Bhikshú Arittha deturpa o Ensinamento, com o seu entendimento incorreto e causa prejuízo para si mesmo, acumulando muito mau karma; pois isso levará esse homem tolo ao dano e inquietação mental duradouros.”


“Bhikshús, que alguém possa se ocupar com prazeres sensuais sem ter desejos sensuais, sem a percepção de desejos sensuais, sem pensamentos de desejos sensuais – isso é impossível.” (O Buddha afirma que as pessoas não podem conviver com prazeres e desejos do corpo sem se envolverem emocionalmente com eles. A única maneira de não se deixar envolver é se afastando deles.)


O SÍMILE DA COBRA


“Aqui Bhikshús, homens tolos aprendem o Dharma – resumos, prosa e verso, análises, versos, exclamações, símiles, histórias de vidas passadas, eventos maravilhosos, perguntas e respostas – mas tendo aprendido, examinam seu significado usando de Sabedoria. Não examinando o significado desses Ensinamentos com Sabedoria, não o aceitam através da reflexão. Ao invés disso, aprendem o Dharma somente com o propósito de criticar os outros e de se saírem vitoriosos em discussões e não experimentam o benefício pelo qual aprenderam o Dharma. Esses Ensinamentos, tendo sido aprendidos da forma incorreta, conduzem ao dano e inquietação mental (Dukkha) duradouros."


“Imagine um homem que precisa de uma cobra, procura uma cobra, anda em busca de uma cobra, vê uma cobra grande e a agarra da forma incorreta pelo tronco ou pela cauda. Ela o ataca mordendo a mão, braço, ou qualquer outra parte do corpo e por causa disso ele vai morrer ou se ferir gravemente. Por que isso? Porque agarrou a cobra da maneira incorreta. Da mesma forma, homens tolos aprendem o Dharma somente com o propósito de criticar os outros e de se saírem vitoriosos em discussões e não experimentam o benefício pelo qual aprenderam o Dharma. Esses Ensinamentos, tendo sido aprendidos da forma incorreta, conduzem ao dano e inquietação mental por muito tempo.


“Aqui Bhikshús, alguns membros de um clã aprendem o Dharma – resumos, prosa e verso, análises, versos, exclamações, símiles, histórias de vidas passadas, eventos maravilhosos, perguntas e respostas – e o tendo aprendido, examinam seu significado usando de Sabedoria. Agindo assim, os aceitam através da reflexão. Não aprendem o Dharma a fim de criticar os outros e de se saírem vitoriosos em discussões, eles experimentam o benefício pelo qual aprenderam o Dharma. Esses Ensinamentos, tendo sido aprendidos da forma correta, conduzem ao benefício e felicidade duradouros.


“Imagine um homem que precisa de uma cobra, procura uma cobra, anda em busca de uma cobra, vê uma cobra grande e a agarra da forma correta com uma forquilha, a agarra da forma correta, pelo pescoço. Então, mesmo que ela enrole o seu tronco em volta da sua mão, braço, ou qualquer outra parte do corpo, ele não vai morrer nem se ferir gravemente. Por que isso? Porque agarrou a cobra da maneira correta. Do mesmo modo, membros de um clã aprendem o Dharma – resumos, prosa e verso, análises, versos, exclamações, símiles, histórias de vidas passadas, eventos maravilhosos, perguntas e respostas – e tendo aprendido o Dharma, examinam seu significado usando de Sabedoria. Agindo assim, os aceitam através da reflexão (NÃO EXISTE fé cega no Buddhismo!! Só aceitamos aquilo que pode ser comprovado em nossa vida diária!). Não aprendem o Dharma a fim de criticar os outros e de se saírem vitoriosos em discussões, testam na vida diária o benefício pelo qual o aprenderam. Esses Ensinamentos, tendo sido aprendidos da forma correta, conduzem ao benefício e felicidade duradouros.


Portanto Bhikshús, quando entenderem o significado do Dharma que eu ensino, lembrem-se dele da forma correta; e quando não entenderem o significado, então perguntem a mim ou aos Bhikshús que são Sábios. (os monges já iluminados)


MEU COMENTÁRIO: O monge (bhikshú) Arittha achava que é possível viver a vida monástica sem abandonar os prazeres sensuais: música, dança, sexo, bebidas intoxicantes etc. Pensando dessa maneira errada, certamente estava divulgando, através de ensinamento e do mau exemplo, um buddhismo errado e diferente do que o Buddha nos ensinou. Com isto, estava pondo em risco a missão do Buddha, prejudicando não só a si próprio, mas também a todo o Dharma.

Infelizmente, há muitos “Aritthas” por aí e as pessoas, inadvertidamente, os seguem e até os chamam de iluminados, deliciando-se com as tolices que eles ensinam em nome do Buddha. É preciso muita cautela e discernimento antes de chamar alguém de mestre!

O Buddha continua explicando o Dharma aos monges. Desta vez, ele compara o Dharma a uma balsa, usada por um homem para atravessar a correnteza de um rio:


O Bhagaván então continuou: “Bhikshús, eu mostrarei a vocês, através da símile de uma balsa, com o propósito de atravessar a correnteza para alcançar a outra margem. Ouçam, Bhikshús, atentamente o que vou dizer.”


“Sim, Vantê!” – responderam os Bhikshús.


“Suponham, Bhikshús, um viajante pela estrada, que vê uma vasta extensão de água e, na margem de cá, há perigos e medo, enquanto que a margem oposta é segura e livre de perigo. Mas, não há bote para atravessar, nem ponte que vá de um lado ao outro. Então, o homem pensa: “Esta é uma vasta extensão de água e esta margem e perigosa e amedrontadora. Mas não há bote nem ponte ligando uma margem à outra. Mas, se eu juntasse galhos, gravetos e folhagens e os amarrasse, fazendo uma balsa?” Flutuando na balsa, remando com as mãos e batendo os pés, ele atravessaria com segurança para a outra margem. Lá chegando, ele pensa: “Esta balsa realmente me foi útil. Transportado por ela, cheguei em segurança a esta margem. Acho que vou carregá-la sobre minha cabeça ou nos meus ombros por onde eu for.


“O que vocês acham, Bhikshús? Fazendo desta forma, o homem está agindo de modo correto?


“Não, Vantê!”


“Então, Bhikshús, o que deveria ele fazer com a balsa? Uma vez que tivesse atravessado para a outra margem, ele pensaria: “Esta balsa realmente me foi útil. Transportado por ela, cheguei em segurança a esta margem. Agora, devo deixá-la aqui na terra seca ou simplesmente deixar que flutue na água e assim, vou para onde quiser.” Agindo assim, Bhikshús, o homem faz o que deveria ser feito com a balsa.”


“Da mesma forma, Bhikshús, eu mostrei a vocês o Ensinamento com a símile da balsa: com o propósito de atravessarem, não de se apegarem.”


“Vocês, Bhikshús, que entendem o Ensinamento da símile da balsa, devem deixar ir até mesmo os bons Ensinamentos. Quanto mais os falsos!”


CAMPOS DE VISÃO


“Há, Bhikshús, estes seis campos de visão incorreta. Quais os seis? Neste caso, há alguém sem cultivo mental, que não se ocupa do cultivo das virtudes, é ignorante sobre o Ensinamento e não treinado nele. Não se preocupa em aproximar-se de homens que realmente valham a pena conhecer, é ignorante dos Ensinamentos e treinamentos oferecidos por eles.


Ele considera as coisas assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.

Ele considera os sentimentos assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.

Ele considera a percepção das coisas do mundo assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.

Ele considera as formações mentais assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.

E tudo aquilo que é visto, ouvido, sentido e pensado, o que é encontrado, procurado, percebido pela mente, ele também considera assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.

E, também este campo de visão: “O Universo é o Ego, o qual me tornarei após a morte, estável, eterno, imutável, eternamente o mesmo, eu devo permanecer exatamente nesta condição” – esta visão, também, ele considera assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.


Mas, Bhikshús, há um discípulo bem instruído no cultivo mental, que se preocupa que se ocupa do cultivo das virtudes, é instruído sobre o Ensinamento e treinado nele. Se preocupa em aproximar-se de homens que realmente valham a pena conhecer, é instruído nos Ensinamentos e treinamentos oferecidos por eles.


Ele não considera as coisas assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.

Ele não considera os sentimentos assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.

Ele não considera a percepção das coisas do mundo assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.

Ele não considera as formações mentais assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.

E tudo aquilo que é visto, ouvido, sentido e pensado, o que é encontrado, procurado, percebido pela mente, ele também não considera assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.

E, também este campo de visão: “O Universo é o Ego, o qual me tornarei após a morte, estável, eterno, imutável, eternamente o mesmo, eu devo permanecer exatamente nesta condição” – esta visão, também, ele não considera assim: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”.


Assim considerando, ele não se mostra ansioso diante das irrealidades.”


MEU COMENTÁRIO: Um dos conceitos básicos e mais fortes no Buddhismo, é a INEXISTÊNCIA de qualquer coisa que possa chamada de PERMANENTE, individual ou Ego. Tudo, absolutamente tudo o que existe no Universo é composto de vários elementos associados e em constante estado de decadência e futura desassociação, portanto, não há nada que possa ser chamado de INDIVÍDUO, nada que seja uma ALMA permanente. Assim, segundo o Ensinamento do Buddha, nada do que vemos, sentimos, percebemos, imaginamos e conceituamos é permanente. Portanto, é a ilusão do Eu, Meu, Para Mim, Contra Mim, etc. etc. a fonte de toda a nossa inquietação mental.

Quanto mais formos capazes de entender profundamente e aceitarmos esta realidade, mais fácil será a libertação e a definitiva percepção do Estado Mental do Nirváña.

Continuando sua explicação aos Bhikshús, o Buddha fala sobre a ansiedade que criamos para nós mesmos através de nossas formações mentais, nossos pontos de vista incorretos, aos quais nos apegamos:


Ansiedade quanto às coisas irreais


Quando o Bhagaván disse isto, um certo Bhikshú perguntou:


“Vantê, pode haver ansiedade quanto a irrealidades externas?”


“Pode haver, Oh Bhikshú!” – respondeu o Bhagaván. “Neste caso, Bhikshú, alguém pensa: “Ah! Eu tinha isso!” “Ah! Eu não tenho mais isso!” “Ah! Eu queria ter isso de novo!” “Ah! Mas eu não consigo ter de novo!” Então, a pessoa fica angustiada, fica deprimida e lamenta. Bate no peito, chora amargamente e a depressão toma conta dela. Portanto, Bhikshús, há ansiedade quanto às coisas irreais externas.”


“Mas, Vantê, pode haver ausência de ansiedade sobre as irrealidades externas?”


“Pode haver, Oh Bhikshú.” – respondeu o Bhagaván. “Neste caso, Bhikshú, alguém pensa: “Ah! Eu tinha isso!” “Ah! Eu não tenho mais isso!” “Ah! Eu queria ter isso de novo!” “Ah! Mas eu não consigo ter de novo!” Então, a pessoa não fica angustiada, não fica deprimida, não se lamenta.. Não bate no peito, não chora e a depressão não toma conta dela. Portanto, Bhikshús, pode não haver ansiedade quanto às coisas irreais externas.”


“Vantê, pode haver ansiedade quanto às irrealidades internas?”


“Pode haver, Oh Bhikshú.” – respondeu o Bhagaván. “Neste caso, Bhikshú, alguém tem este ponto de vista: “O Universo é o Ego. É isso que eu serei após a morte: permanente, estável, eterno, imutável. Eternamente o mesmo, eu ficarei para sempre nesta condição.” A pessoa então ouve o Completamente Perfeito (o Buddha) explicar seu Ensinamento (o Dharma) que remove todos os campos da visão, todos os preconceitos, todas as obsessões, dogmas e dualidades, para acalmar todos os processos de formação kármica, para a eliminação de todo substrato da existência, para extirpar todo apego, para a dissipação, a cessação, o Estado Mental do Nirváña. A pessoa então pensa: “Eu serei aniquilado, eu serei destruído! Eu não mais existirei!” Então, se angustia, se deprime, se lamenta. Bate no peito e chora amargamente e a depressão toma conta dela. Portanto, Bhikshú, pode haver ansiedade quanto às irrealidades internas.”


“Mas, Vantê, pode não haver ansiedade quanto às irrealidades internas?”


“Pode haver, Oh Bhikshú.” – respondeu o Bhagaván. Neste caso, alguém não tem este ponto de vista: “O Universo é o Ego. É isso que eu serei após a morte: permanente, estável, eterno, imutável. Eternamente o mesmo, eu ficarei para sempre nesta condição.” A pessoa então ouve o Completamente Perfeito (o Buddha) explicar seu Ensinamento (o Dharma) que remove todos os campos da visão, todos os preconceitos, todas as obsessões, dogmas e dualidades, para acalmar todos os processos de formação kármica, para a eliminação de todo substrato da existência, para extirpar todo apego, para a dissipação, a cessação, o Estado Mental do Nirváña. A pessoa então não pensa: “Eu serei aniquilado, eu serei destruído! Eu não mais existirei!” Então, se angustia, se deprime, se lamenta. Bate no peito e chora amargamente e a depressão toma conta dela. Portanto, Bhikshú, pode não haver ansiedade quanto às irrealidades internas.”


MEU COMENTÁRIO: Nossos conceitos, nossas formações mentais, nossas ideias e experiências, quando imutáveis, inflexíveis e arraigados, se tornam obstáculos para o cultivo mental. Quanto mais formos livres de opiniões ferrenhas, mais fácil será a eliminação de nosso apego, tanto às coisas materiais quanto às mentais.

O Nirváña (ou Nibbána), que muitas pessoas pensam ser um paraíso físico, na verdade, é um ESTADO MENTAL, onde há ausência total de conceito, ausência total de DUALIDADE e pontos de vista opostos. Só quando não há mais conceito algum, apego algum a qualquer que seja a ideia – incluindo aqui o apego à ideia de se tornar Iluminado(a), podemos atingir o Estado Mental do Nirváña.

Nesta parte do Sutra, o Buddha questiona os monges e mostra a eles que não há nada no Universo que possa ser chamado de permanente, individual ou eterno. Portanto, é tolice pensar que existe um EGO:


IMPERMANÊNCIA E INEXISTÊNCIA DE UM EGO


“Vocês poderiam se apossar de algo, Bhikshús, que fosse permanente, estável, eterno, imutável, que permanecesse eternamente na mesma condição. Mas, vocês veem algo assim que possam possuir?”


“Não, Vantê.”


“Bem, Bhikshús, eu, também, não vejo nada que seja permanente, estável, eterno, imutável, que permaneça eternamente na mesma condição.”


“Vocês também poderiam aceitar, Bhikshús, esta teoria presumível da existência de um ego, da aceitação do qual não surgiria tristeza, lamentação, dor, pesar nem desespero. Mas, vocês veem, Bhikshús, tal teoria presumível de um ego?”


“Não, Vantê.”


“Bem, Bhikshús, eu também não vejo tal teoria da existência de um ego, da aceitação do qual não surgiria tristeza, lamentação, dor, pesar nem desespero.”


“Vocês poderiam confiar, Bhikshús, em algum argumento baseado no ponto de vista de que não surgiria tristeza, lamentação, dor, pesar nem desespero. Mas, Bhikshús, vocês veem qualquer coisa que consiga apoiar tal argumento de que não surgiria tristeza, lamentação, dor, pesar nem desespero?”


“Não, Vantê.”


“Bem, Bhikshús, eu também não vejo nenhum argumento baseado no ponto de vista de que não surgiria tristeza, lamentação, dor, pesar nem desespero.” (O Buddhismo afirma que todas as coisas, sem exceção, quando nos apegamos a elas, são inevitavelmente, fontes em potencial de inquietação mental – Dukkha – esta é a chamada Primeira Nobre Verdade.)


“Se houvesse um ego, Bhikshús, haveria a propriedade do meu ego?”


“Sim, Vantê!”


“Ou, se houvesse uma propriedade do meu ego, haveria “para mim”?”


“Sim, Vantê!”


“Já que, na verdade e de fato, não há um ego nem propriedade do ego, Oh Bhikshús, então os pontos de vista baseados em que “O Universo é o ego”, “Isto é o que eu serei após a morte”: permanente, estável, eterno, imutável, eternamente permanecerei na mesma condição” – tudo isto, Bhikshús, não é uma ideia completamente tola?”


“O que mais poderia ser, Vantê! É uma ideia inteiramente e perfeitamente tola!”


MEU COMENTÁRIO: O Buddha nos mostra que tudo no Universo está, inerentemente, em processo de envelhecimento, decadência, desassociação e extinção. Todas as coisas e, obviamente, nosso corpo – por mais que não gostemos de pensar sobre isso – estão se decompondo, não havendo no Universo coisa alguma que fuja a esta regra. Tudo está em constante mutação, em permanente transformação.

Sendo assim, não há nada que seja digno de apego, pois, se cedo ou tarde vamos nos separar das coisas que temos e, nós mesmos vamos nos ausentar, deixando para trás as pessoas que nos amam, se criarmos e cultivarmos apego, isso, inevitavelmente, causará inquietação mental – DUKKHA. Não estou sugerindo aqui que devamos nos tornar insensíveis, sem sentimentos, frios ou apáticos, mas sim que devemos estar sempre alertas para o quanto colocamos de emoção e excesso de amor às coisas e pessoas que nos cercam.


Continuando a explicação para os monges, com base na visão errada e perigosa do monge Arittha, o Buddha mostra que todas as coisas do Universo, inclusive nós mesmos, são impermanentes, fontes constantes de inquietação mental e totalmente desprovidas de um Ego, de uma individualidade. Assim, não existe uma ALMA, nem nada que possa ser considerado como permanente, individual ou imutável. Este é um conceito chave, fundamental no Buddhismo e comum a todas as Tradições buddhistas.


As Três Características

(A Impermanência de todas as coisas, Inerente fonte de Inquietação Mental e Ausência total de Individualidade (Ego) em tudo o que existe no Universo)


“O que vocês acham, Bhikshús: a realidade da existência (de todas as coisas do Universo) é permanente ou impermanente?”


“Impermanente, Vantê.”


“E aquilo que é impermanente é causa de inquietação mental (Dukkha) ou de prazer?”


“De inquietação mental, Vantê.”


“O que é impermanente, doloroso, sujeito a mudanças, pode ser considerado: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”?”


“Certamente que não, Vantê.”


“O que vocês pensam, Bhikshús, o sentimento é permanente ou impermanente?”


“Impermanente, Vantê.”


“A percepção, é permanente ou impermanente?”


“Impermanente, Vantê.”


“As formações mentais (ideias, conceitos, impressões), são permanentes ou impermanentes?”


“Impermanentes, Vantê.”


“A consciência (onde se forma o conceito de um Ego), é permanente ou impermanente?”


“Impermanente, Vantê.”


“E tudo aquilo que é impermanente é causa de Dukkha ou de prazer?”


“Dukkha, Vantê.”


“O que é impermanente, doloroso, sujeito a mudanças, pode ser considerado: “Isto é meu, isto sou eu, isto é o meu ego”?”


“Certamente que não, Vantê.”


“Portanto, Bhikshús, qualquer que seja a existência, seja no passado, futuro ou presente, interna ou externa, grosseira ou sutil, inferior ou superior, próxima ou distante – toda existência deve ser vista, à luz da Sabedoria, da seguinte forma: “Isto não é meu, isto não sou eu, isto não é uma individualidade.”


“Qualquer que seja o sentimento deve ser visto, à luz da Sabedoria, da seguinte forma: “Isto não é meu, isto não sou eu, isto não é uma individualidade.”


“Qualquer que seja a percepção (contato de um dos órgãos dos sentidos com um objeto correspondente) deve ser vista, à luz da Sabedoria, da seguinte forma: “Isto não é meu, isto não sou eu, isto não é uma individualidade.”


“Qualquer que seja a formação mental deve ser vista, à luz da Sabedoria, da seguinte forma: “Isto não é meu, isto não sou eu, isto não é uma individualidade.”


“Qualquer que seja a consciência deve ser vista, à luz da Sabedoria, da seguinte forma: “Isto não é meu, isto não sou eu, isto não é uma individualidade.”


“Vendo assim, Bhikshús, o praticante do cultivo mental se torna decepcionado em relação aos renascimentos neste mundo, se torna decepcionado em relação (ao apego) aos sentimentos, percepções, formações mentais e consciência.”


“Através desta decepção, as paixões (pelas coisas mundanas) se dissipa. Tendo dissipado as paixões, ele se liberta, toma conhecimento da liberdade (de Dukkha). Assim, cessam os renascimentos, é cumprido o objetivo da vida no cultivo mental, a tarefa está finalizada, não mais há “tornar a ser”. Assim ele sabe.


MEU COMENTÁRIO: A grande descoberta do Buddha, que acabou por diferenciar o Buddhismo do Hinduísmo, é justamente estas “Três Características”. O Hinduísmo, berço do Buddhismo, afirma que há uma alma que, vida após vida, reencarna, na busca de uma libertação final, quando voltará para um Ser Supremo Criador.

Siddartth Gáutam, após a Iluminação (tornar-se O Buddha), descobriu que não há absolutamente nada permanente no Universo. Assim, a característica do Ensinamento (Dharma) do Buddha é que tudo é impermanente e, portanto, fonte de inquietação mental (Dukkha), quando nos apegamos ao que quer que seja, pois, cedo ou tarde, o que temos vai se acabar. Se todas as coisas são impermanentes, formada por vários elementos associados e em constante estado de desassociação, não pode haver nada que seja chamado de indivíduo, portanto, não existe um Ego.


O ARAHANT

(Alguém que já atingiu a Iluminação, em vida)


Este, Bhikshús, é chamado aquele que removeu o obstáculo, encheu o fosso, quebrou o pilar, purificou a própria mente. Um nobre praticante do cultivo mental, que derrubou a bandeira, deixou cair o fardo, libertou-se das algemas (que nos mantêm presos ao renascimento cheio de inquietação mental).


“E como, Oh Bhikshús, o praticante do cultivo mental removeu o obstáculo? Neste caso, o praticante abandonou a ignorância, cortou suas raízes, a removeu do solo, como uma palmeira, a levou à extinção, incapaz de brotar novamente. Assim ele removeu o obstáculo.”


“E como, Oh Bhikshús, o praticante do cultivo mental encheu o fosso? Neste caso, o praticante abandonou o círculo de contínuos renascimentos, que conduz à renovação da existência, o removeu do solo, como uma palmeira, o levou à extinção, incapaz de brotar novamente. Assim ele encheu o fosso.”


“E como, Oh Bhikshús, o praticante do cultivo mental quebrou o pilar? Neste caso, o praticante abandonou o apego (às coisas do mundo e conceitos ferrenhos), o removeu do solo, como uma palmeira, o levou à extinção, incapaz de brotar novamente. Assim ele quebrou o pilar.”


“E como, Oh Bhikshús, o praticante do cultivo mental purificou a própria mente? Neste caso, o praticante abandonou os cinco grilhões inferiores, os removeu do solo, como uma palmeira, os levou à extinção, incapazes de brotar novamente. Assim ele purificou a própria mente.”


“E como, Oh Bhikshús, o praticante do cultivo mental derrubou a bandeira, deixou cair o fardo, libertou-se das algemas? Ele abandonou o falso conceito da existência de um ego, o removeu do solo, como uma palmeira, o levou à extinção, incapaz de brotar novamente. Assim foi que o nobre praticante do cultivo mental derrubou a bandeira, deixou cair o fardo, libertou-se das algemas.”


“Quando a mente do praticante se torna livre, Oh Bhikshús, nem os deuses com Indra, nem os deuses com Brahmá, nem os deuses com Padjápati, o Senhor das Criaturas, quando procurando encontrarão no que se baseia a consciência do praticante. Por que isso? Porque alguém que praticou desta forma, já não mais pode ser rastreado aqui e agora, porque já se foi. Assim eu digo.”


DESCARACTERIZAÇÃO


“Assim ensinando, assim declarando, Oh Bhikshús, eu tenho sido, sem embasamento, inutilmente, falsamente e erroneamente acusado por alguns praticantes do cultivo mental e Sacerdotes Hindus: “Um niilista é o praticante Gáutam (O Buddha). Ele ensina a aniquilação, a destruição, o não-ser de um indivíduo existente.”


“Como não sou e não ensino, então, tenho sido, sem embasamento, inutilmente, falsamente e erroneamente acusado por alguns praticantes do cultivo mental e Sacerdotes Hindus: “Um niilista é o praticante Gáutam (O Buddha). Ele ensina a aniquilação, a destruição, o não-ser de um indivíduo existente.”


“O que eu ensino, tanto agora quanto antes, Oh Bhikshús, é sobre Dukkha e a cessação de Dukkha.”


ELOGIO E DIFAMAÇÃO


“Se por essa razão, outros rivalizam, abusam, xingam e insultam o Iluminado (o Buddha aqui se refere a ele mesmo), Oh Bhikshús, o Iluminado não sentirá nenhuma perturbação, nem rejeição, nem desprazer no coração. E se, por essa razão, outros respeitarem, reverenciarem, honrarem e venerarem o Iluminado, Oh Bhikshús, o Iluminado, por causa disso, não vai se deliciar, nem sentir alegria, nem se envaidecer no coração. Se for essa a razão dos outros respeitarem, honrarem e venerarem o Iluminado, ele pensará assim: “É por conta deste agregado de mente e corpo que já foi por mim totalmente compreendido que eles agem desta forma.”


“Portanto, Oh Bhikshús, se vocês, também, forem rivalizados, abusados, xingados e insultados, não devem por causa disto, deixar crescer a perturbação, nem rejeição, nem desprazer em seus corações. E se os outros os respeitarem, reverenciarem, honrarem e venerarem, por causa disto, não se deixem deliciar, nem alegrar, nem se envaidecerem no coração. Se for essa a razão dos outros lhes respeitarem, honrarem e venerarem, vocês devem pensar:”É por conta deste agregado de mente e corpo que já foi por mim totalmente compreendido que eles agem desta forma.”


MEU COMENTÁRIO: Já vimos, até aqui, que não há nada no Universo que esteja livre da decadência, da desassociação. Quem consultou a matéria sobre “Os Agregados da Existência”, deve ter entendido e mantido claro na mente, que somos apenas elementos combinados, em risco permanente de se desassociarem, nos levando à doença e morte.

Neste trecho do Sutra, o Buddha afirma que, se nos deixarmos perturbar por eventuais ofensas, difamação e xingamentos ou, ao contrário, se nos deixarmos envaidecer por causa de elogios, honrarias e veneração, em ambos os casos, estaremos ALIMENTANDO um ego ilusório, cujo conceito devemos abandonar o quanto antes, pois é um grande obstáculo para nosso cultivo mental e Iluminação.

Continuando a explicação aos Bhikshús, o Buddha ensina sobre as coisas que, por não nos pertencerem, devemos abandonar. Caso contrário, estaremos inevitavelmente bloqueando nossa Iluminação.


NÃO É SEU


“Portanto, Bhikshús, abandonem o que quer que não seja de vocês. Esse abandonar durará por muito tempo, trazendo bem estar e alegria. O que não é de vocês?

O corpo físico não é de vocês. Abandonem! O abandonar durará por muito tempo, trazendo bem estar e alegria.

O sentimento, não é de vocês. Abandonem! O abandonar durará por muito tempo, trazendo bem estar e alegria.

A percepção, não é de vocês. Abandonem! O abandonar durará por muito tempo, trazendo bem estar e alegria.

As formações mentais, não são de vocês. Abandonem! O abandonar durará por muito tempo, trazendo bem estar e alegria.

A consciência, não é de vocês. Abandonem! O abandonar durará por muito tempo, trazendo bem estar e alegria.”


“O que vocês acham, Bhikshús: se as pessoas tirassem toda a grama, os gravetos, os galhos e as folhas deste Bosque de Djetá, ou os queimassem, ou fizessem com eles tudo o que quisessem, vocês pensariam: “Estas pessoas estão nos levando, nos queimando, fazendo conosco o que querem?”


“Não, Vantê!”


“Por que, não?”


“Porque, Vantê, essas coisas não são nossa pessoa nem propriedade nossa.”


“Então, também, Bhikshús, abandonem o que não é de vocês. O abandonar durará por muito tempo, trazendo bem estar e alegria. O que não é de vocês?


O corpo físico não é de vocês.

O sentimento não é de vocês.

A percepção não é de vocês.

As formações mentais não são de vocês.

A consciência não é de vocês.


Abandonem todos eles. O abandonar durará por muito tempo, trazendo bem estar e alegria.”


MEU COMENTÁRIO: Devemos sempre levar em consideração que o Buddha se dirigia, principalmente, a uma grande quantidade de BHIKSHÚS (monges). Muitos deles estavam na vida monástica há muito tempo, acostumados com a linguagem do Mestre e a entendiam bem. Isto não significa que o Ensinamento não se aplique aos LEIGOS (seguidores não-monásticos), mas é importante que fique clara a diferença entre os dois tipos de seguidores.

Leigos que seguem o Dharma (o Ensinamento do Buddhismo), em menor intensidade, também devem ABANDONAR O APEGO ao corpo – isto não quer dizer que não vamos mais tomar banho ou que vamos deixar o corpo adoecer, sem alimento etc. – o corpo SAUDÁVEL é fundamental para que a mente pura possa ser cultivada.

Estamos falando aqui sobre o excesso de zelo pelo corpo, o excesso de apego aos nossos sentimentos (Eu amo! Eu adoro! Eu não consigo viver sem! Eu detesto! Eu odeio! Eu não aguento! Etc. etc.), apego aos nossos conceitos, mesmo que sejam bons. Apego exagerado às nossas formações mentais etc.

O Buddhismo é o CAMINHO DO MEIO, ou seja, o equilíbrio de emoções, sentimentos, conceitos de tudo o que surge em nossa mente. Todo excesso, todo apego, todo radicalismo é, com certeza, um obstáculo para a Iluminação.


O ENSINAMENTO EXPLÍCITO E SEU FRUTO


“Bhikshús, este Ensinamento, tão bem proclamado por mim, é pleno, aberto, explicito, livre de insinuações. Este Ensinamento, tão bem explicado por mim, é para aqueles que já são Arahants (Iluminados em vida), livres de mancha, que já atingiram e cumpriram seus objetivos, deixaram cair o fardo, alcançaram a meta, romperam as correntes que os prendiam à existência, foram liberados através do conhecimento completo, não há para eles um novo ciclo de existência que possa aprisioná-los.”


“Bhikshús, este Ensinamento, tão bem proclamado por mim, é pleno, aberto, explicito, livre de insinuações, é para os que abandonaram as correntes das cinco formas inferiores de renascimento e renascerão, espontaneamente, em Planos Existenciais Puros e, de lá, nunca mais retornarão a este mundo.”


“Bhikshús, este Ensinamento, tão bem proclamado por mim, é pleno, aberto, explicito, livre de insinuações, é para os que abandonaram as três correntes dos renascimentos inferiores e reduziram o apego (aos prazeres do mundo), o ódio e a ilusão (sobre as coisas do mundo). Todos renascerão neste mundo apenas mais uma vez e, ao retornarem a este mundo, encontrarão o fim das inquietações mentais (Dukkha).”


“Bhikshús, este Ensinamento, tão bem proclamado por mim, é pleno, aberto, explicito, livre de insinuações, é para os que abandonaram as três correntes dos renascimentos inferiores e todos eles adentraram a correnteza, não mais estão sujeitos a cair em reinos inferiores da existência, com certeza, estão direcionados para a Iluminação.”


“Bhikshús, este Ensinamento, tão bem proclamado por mim, é pleno, aberto, explicito, livre de insinuações, é para os que amadureceram no Dharma (Ensinamento do Buddha), amadureceram na auto-confiança e estão, todos, direcionados para a Iluminação Total.”


“Bhikshús, este Ensinamento, tão bem proclamado por mim, é pleno, aberto, explicito, livre de insinuações, é para os que, após comprovarem a veracidade do Ensinamento, confiam em mim, me amam e todos renascerão em Planos Superiores da Existência.


Tendo O Buddha terminado este Ensinamento, os Bhikshús se alegraram com suas palavras. Quanto ao Bhikshú Arittha que, com seu ponto de vista errado, levou o Buddha a ensinar este Sutra, o Buddha decidiu puni-lo com uma suspensão. Mesmo assim, Arittha não mudou de opinião e isto foi considerado como uma falta grave, segundo os Preceitos que guiam a vida de nós monges.


MEU COMENTÁRIO: Nesta última parte do Sutra, o Buddha explica que este Ensinamento serve para seguidores de diversos graus de entendimento, ou seja: para todas as pessoas.

No Buddhismo, estes graus de entendimento do Dharma sãos comparados a alguém que entra na correnteza de um rio e, flutuando, se deixa levar até o fim deste rio, o oceano, comparado aqui à Iluminação.

Quem já atingiu o estágio mais elevado da Sabedoria, é chamado de ANÁGÁMÍ, alguém que, após a morte física, nunca mais vai renascer, está totalmente iluminado. No total de OITO estágios até a Iluminação, o inicial se chama SÔTÁPANNA, que identifica o praticante iniciante no Buddhismo, que acabou de entrar na correnteza. Portanto, o “Alagaddúpama Sutra” é realmente para todos aqueles que quiserem ouvir o Ensinamento do Buddha e praticar na vida diária.


Fiquem todos em Paz e protegidos!


Wù Hai Shifu


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