BUDISMO E AS REFEIÇÕES

Atualizado: 7 de Jan de 2019



Dàjiā hǎo!

Este não é um Ensinamento sobre ser ou não ser vegetariano… Não é sobre o que comer ou não comer que quero falar aqui… Na verdade, muita gente imagina que todo buddhista (budista) deve ser vegetariano, ou até vegano e as pessoas imaginam que o Buddha (Buda) era vegetariano quando, na verdade, ele MENDIGAVA diariamente o próprio alimento e, como é de se imaginar, MENDIGOS não podem escolher o que comer, aceitando TUDO o que lhe for dado de coração!


É sobre a relação de COMIDA e CORAÇÃO que me interessa ensinar hoje… Não no ponto de vista cardíaco, porque não sou médico, mas sim na questão de DOAÇÃO, de altruísmo…


No mundo acelerado em que as pessoas vivem, infelizmente é cada vez mais comum que tomem o café da manhã pensando no que vão fazer no trabalho: os papéis encima do escritório para serem assinados, os assuntos pendentes da véspera, a urgência em entregar o serviço que o patrão está cobrando!! A pressa de chegar ao trabalho não permite que a pessoa nem sinta o sabor do que está ingerindo!


A hora do almoço é um pequeno intervalo entre uma correria e outra e, para sentir a fome saciada, a pessoa acaba engolindo um sanduíche ou algo pesado que mantenha o estômago enganado até a próxima refeição – o jantar! Daí, olhando o noticiário ou conversando com a família, novamente se come qualquer coisa que mantenha a pessoa até o dia seguinte, quando recomeça a mesma rotina!


E o SAGRADO, onde fica?? Quantos de vocês têm tempo para se lembrar do valor sagrado de uma refeição, seja ela uma requintada churrascada ou uma simples fatia de bolo? Tudo o que comemos é SAGRADO e isso não quer dizer que você tenha que acreditar em alguma religião! O aspecto sagrado de um alimento não tem nada a ver com deus ou igreja ou templo… Nada disso!


SAGRADO aqui, se refere ao fato do alimento ser o RESULTADO FINAL do esforço de centenas, milhares, milhões de pessoas das quais você nem se lembra, nunca pensa nelas, mas que se esforçaram muito para que o alimento sobre a mesa, diante de você, chegasse ao destino final!


Um simples cacetinho (pão francês) é o resultado do trabalho de tanta gente, que você nem conseguiria contar! Não entendeu?? Explico!! Antes de virar cacetinho, no forno da padaria, o pão foi farinha, fermento, água, sal… Cada um desses ingredientes não apareceu “do nada”… A farinha um dia foi semente de trigo, que foi jogada na terra por ALGUÉM, que acordou cedo para trabalhar no campo, que foi arado por um trator, que foi fabricado por outro ALGUÉM, que acordou cedo para ir trabalhar na fábrica de peças de trator!!! (Vai contando aí!!! hahaha)… ALGUÉM cuidou da sementinha, que virou trigo e foi colhido e ensacado por outro ALGUÉM. Outro ALGUÉM dirigiu o caminhão até o local onde o saco de farinha foi entregue e descarregado por outro ALGUÉM e mais alguém e alguém e alguém… Nessa sequência incontável de alguém, “de repente” o pão está diante de você que, SEM NEM PENSAR, engole com uma xícara de café, lendo o jornal, olhando a TV ou brigando com as crianças… Nem um minuto de reflexão, nem um minuto de GRATIDÃO pelo trabalho de tanta gente que se esforçou tanto para que VOCÊ fosse o consumidor final de algo tão gostoso e…. SAGRADO!! Sim!! Sagrado!


Quando foi a última vez que você REALMENTE agradeceu pelo que come? Quando se lembrou de SER GRATO pelo esforço de tantos “alguéns” anônimos que lhe proporcionaram o alimento que lhe mantém vivo?


No Buddhismo, não comemos uma única bolacha sem antes agradecermos! Antes e depois de consumirmos qualquer alimento, TEMOS QUE expressar nossa gratidão! Nem sempre fazemos longas orações, porque sabemos que nem sempre dá tempo… Os Chineses, antes das refeições, param por alguns segundos e o Chefe da Famíia ou a mãe, diz: "Vamos comer!" É uma QUEBRA entre a agitação do dia e o momento de iniciarem uma refeição!

Já os japoneses não começam qualquer refeição sem que usem uma palavrinha que todos deveriam aprender e usar: “ITADAKIMÁSS!” Em japonês, ela expressa TODA A GRATIDÃO que devemos demonstrar diante do alimento que vamos consumir!


Ao final da refeição, ao acabarem de consumir o alimento, dizem: “GOTCHISSÔ SAMÁ DESHTÁ” que significa mais ou menos: Muito grato a quem fez essas delícias! Desta forma, tão simples e rápida (qualquer um tem tempo para dizer isso!!!) Estamos reconhecendo que o ALIMENTO É SAGRADO e expressando nossa GRATIDÃO ao esforço de todos!


No Fǎ Lóng Sì, o templo onde moro, ensino as pessoas que, ao acabarmos de comer qualquer coisa, devem dizer: "GANXIÊ SUOYÔU, DZUÔ DZÊ DUNFÀN DÂ DZONG SAN" Que significa: "Gratidão a todos os que prepararam esta refeição!"


Essa é a forma buddhista (budista) de valorizar uma refeição e, seja você de que crença for, pode improvisar outras palavrinhas (se for “bairrista” demais) ou usar essas mesmas… Que tal?


Grato pela atenção! Fiquem todos em Paz e protegidos!


Wù Hai Shifu

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