BUDISMO E O MERCADO DE TRABALHO



Dajia hao!


Não é novidade alguma que o Brasil enfrenta até hoje as consequências da crise mundial de alguns anos atrás. Enquanto que vários países se reergueram, o nosso tem encontrado inúmeras dificuldades de crescimento e a taxa de desemprego, quando parece diminuir, volta a aumentar, com milhões de pessoas há anos buscando trabalho sem qualquer perspectiva de sucesso!

É uma situação, sem dúvida alguma, muito triste e que nos leva a refletir sobre tudo isso com compaixão! É natural que as pessoas que estão passando por necessidade, por graves problemas financeiros, à medida que o tempo passa, pensem em pegar qualquer tipo de serviço, desde que isso lhes traga algum dinheiro, para pôr comida na mesa, pagarem as contas e até tentarem sanar dívidas que se acumulam como uma bola de neve! Tudo isso é compreensível e é até difícil sugerir que alguém deixe de pegar um ou outro serviço – cada um sabe de si – pedindo que a pessoa siga a visão buddhista (budista) desta questão.

Na ótica buddhista, há um ponto importantíssimo ao qual chamamos de O MEIO DE VIDA CORRETO. É uma das etapas do que o Buddha (Buda) nos ensinou como O Nobre Caminho Óctuplo, que nos conduz à Iluminação, ao Estado Mental do NIRVAÑA. Segundo o Buddha, a atividade profissional que um buddhista exerce, deve ser digna, correta, honesta, não ilusória e que não cause qualquer tipo de inquietação mental aos outros!

Muitas atividades na nossa sociedade não estão de acordo com o meio de vida correto, no entendimento do Buddhismo! Vender bebidas alcoólicas e outras drogas, trabalhar em casas noturnas, comércio de armas – tanto as chamadas “brancas” quanto as de fogo, promover e facilitar as apostas em jogos de azar, profissões que envolvem a matança de seres vivos – abate de animais, comércio de animais para abate etc. São inúmeras atividades que as pessoas fazem e que são um constante acúmulo de MAU KARMA em suas vidas, mesmo que não se apercebam disso.

Daí, cabe a pergunta: “Mas o que fazer se estou desesperado, procurando um trabalho e me oferecem uma atividade que o Buddhismo não considera correta?” A consciência de cada um é a única coisa capaz de responder a essa questão! Um buddhista consciente, sempre será incomodado por sua consciência quando estiver trabalhando em algo incorreto!

As pessoas geralmente condenam a atividade da prostituição… Discriminam e repudiam as mulheres e homens que vendem seus corpos para dar prazer sexual aos outros. Realmente, na maioria dos casos, aceitar fazer sexo por dinheiro, se deitando com pessoas de todo tipo, fingindo estar sentindo prazer, é algo horrível, degradante. Mas aí surge outro questionamento: Fazer todo dia uma atividade que sabemos que não é correta, sabemos que causa inquietação mental e sofrimento a outros seres, somente por causa de um salário… Também não é uma forma de prostituição? A meu ver, sim, é! Se isso nos incomoda, nos violenta internamente, nos causa dor de consciência e, ainda assim, fazemos só para escapar do desemprego, isso é uma forma de prostituição!

É preciso ver as coisas com clareza! Se a urgência em arranjar trabalho leva alguém a exercer uma atividade incorreta, os resultados do mau karma que a pessoa vai praticar diariamente, cedo ou tarde vão começar a surgir! Na ótica buddhista, é assim que funciona a vida. Nossas atividades são uma fonte de bom ou mau karma, ambos inevitavelmente produzindo efeitos que não podemos evitar por completo, mesmo que produzamos bom karma continuamente, o que nem sempre é possível.

Se, em vez de pegar qualquer trabalho só para se livrar do desemprego, a pessoa evitar as ofertas de atividades incorretas, se mantiver firme em seu propósito de esperar até que apareça algo dentro do que o Buddha nos orientou, essa pessoa estará, só por essa boa intenção, praticando bom karma e, como já disse, o efeito – em forma de recompensa – não tardará a surgir! É uma questão de comprometimento com a prática buddhista e confiança no que o Buddha nos ensinou. No mais, é mera questão de tempo, um tempo que vale a pena esperar!

Fiquem todos em Paz e protegidos!


Monge Wu Hai Shifu

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