COMO CONVIVER COM MONGES E MONJAS BUDDHISTAS – UM GUIA PRÁTICO



HéZhang!


O Buddhismo é um dos Ensinamentos mais antigos da Humanidade. Como surgiu a partir do Hinduismo, obviamente, essa Religião é mais antiga. Contemporâneo do Taoismo, que se formou na China, somente o Confucionismo é mais antigo. Assim, em termos de Tradição, somente o Hinduismo e o Confucionismo superam o Buddhismo em termos de antiguidade.


Em um aspecto, porém, o Buddhismo é inigualável: A Comunidade Monástica, ou seja, a organização dos Monges Buddhistas, é a mais antiga ordem da Humanidade e permanece unida há quase 3 mil anos.


Na Ásia, onde o Buddhismo existe há muito tempo, as pessoas já nascem e crescem convivendo com nós monges, frequentam templos, até estudam em escolas dentro dos mosteiros, portanto, é um processo natural que saibam conviver com monges. Já no Brasil, onde o Buddhismo continua quase que desconhecido e não há referenciais de figura monástica que os brasileiros possam seguir, é mais que compreensível que as pessoas não saibam como tratar um monge buddhista!


Já que eu sou um monge Theravada no Brasil e, o único em São Chico, onde vim para ficar, cabe a mim orientar as pessoas sobre como conviver com um monge, como o tratar, como o chamar etc. Isto é importante, porque, no futuro, outros monges poderão vir, outros monges serão ordenados por mim e, com certeza haverá oportunidades de grupos de brasileiros irem comigo à Ásia, participar de congressos e outros eventos! É fundamental que saibamos nos comportar, não “fazer feio” diante de outros países e comunidades buddhistas que seguem um padrão comum de relacionamento entre leigos e nós monges. Vamos a algumas regras básicas:


1 – Monges SEMPRE são chamados de SENHOR. O tratamento mais formal é comum e usado em todos os países! Mesmo nós monges NUNCA chamamos uns aos outros pelo primeiro nome!! Se eu tenho que falar com outro monge ou monja, uso SEMPRE: “Reverendo Fulano ou Reverenda Fulana”, nunca usamos o nome da pessoa diretamente. Isso porque SOMENTE NOSSOS SUPERIORES, na hierarquia do mosteiro, usam o primeiro nome para nos tratar… Assim, quando alguém me chama diretamente: “Wù Hǎi, você…” é muito estranho e, para um monge, bastante desrespeitoso!


2 – Quando nós monges recebemos a Ordenação Monástica, nosso nome “de batismo”, fica para trás, deixa de existir. Aqui no Brasil, é claro, tenho que continuar usando meu nome original para assuntos legais: banco, carteira de identidade e outros documentos. Mas, para mim, o nome que eu tinha antes não tem mais utilidade e até estranho quando alguém me chama por ele.


Meu nome monástico é o que vale e as pessoas poderiam se esforçar um pouquinho em pronunciar corretamente, porque não é muito difícil… WÙHĂI significa “Oceano de Iluminação” e a pronúncia correta é (curto e alto) – HĂI (caindo a voz e depois subindo um pouquinho... terceiro tom de Mandarim). Pronunciar corretamente o nome de alguém, mostra respeito e atenção pela pessoa.


Nós monges, na Ásia, convivemos com colegas de vários países, com nomes em Tibetano, Chinês, Japonês, Coreano etc. Sempre nos empenhamos em memorizar seus nomes e pronunciar corretamente, em sinal de respeito.


3 – Não é permitido tocar, abraçar, beijar ou dar “tapinhas” nas costas e ombros de um monge. Aqui no Brasil, por ser uma forte tradição apertar a mão, eu procuro compreender isso e aperto a mão das pessoas, quando elas tomam a iniciativa…


Também não é correto usar expressões carinhosas do tipo: “querido”, “amor”, “bem” e outras para um monge! Isso é extremamente constrangedor para mim!


Se não é correto abraçar e beijar um monge, também não é correto dizer: “Um abraço/Um abração!” ou “Um beijo”, ao se despedir de nós monges, nem pessoalmente nem ao telefone…


4 – “Venerável” é um termo bastante usado no Buddhismo para se referir a nós monges. No Brasil, é um termo difícil e incomum, por isso, não precisa ser usado! Para os CHINESES, a palavra Venerável Mestre é SHIFU, que significa MESTRE PAI ou LAOSHÍ, que significa VELHO MESTRE, no caso de monges mais idosos (da minha idade para cima). O uso é O MESMO que para Ajahn (Tailândia) ou Bhantê (Nepal/Sri Lanka)! A diferença é só no idioma, não na utilização!


Para me apresentar a outras pessoas, pode-se usar: “Este é o REVERENDO WùHǎi ”. Dentro das diversas formas de tratamento existentes na língua portuguesa, REVERENDO é o correto para padres, monges e outros sacerdotes, portanto, é aceito, para quem não quiser usar SHIFU ou LAOSHI.


Aos poucos, as pessoas vão se acostumando a lidar com o Buddhismo e com nós monges e tudo passa a ser natural!


Muito grato por sua atenção e pelas oportunidades que tenho recebido de divulgar o Buddhismo em nosso país! Fiquem em Paz e protegidos!


Wù Hǎi Shīfù

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