COMO O BUDISMO CHEGOU AO SRI LANKA?



Sukhí Hôtu!


No nosso Encontro do último domingo, surgiu a pergunta do Lucas sobre quando vocês leigos devem observar os Oito Preceitos. Expliquei, então, sobre os Retiros de Meditação e sobre a observância do Upôssatha, ressaltando que, na Tradição Theravada do SRI LANKA, cada um deles é dedicado a um evento marcante da vida do Buddha ou do Buddhismo em si.


Hoje, achei esta matéria que é um exemplo perfeito de como os Cingaleses dão importância ao evento celebrado no Upôssatha. Este texto se refere à Venerável Sanghamitta Mahá Theri, venerada quase que como uma santa pelo povo do Sri Lanka.


A Ven. Sanghamitta, na verdade era a princesa, filha de Ashôka o Grande, Imperador que unificou a Índia e que, após adotar o Buddhismo, se tornou o maior governante buddhista de todos os tempos. Ela deixou a realeza para se tornar MONJA, junto com seu irmão, o Príncipe Mahinda.


Já na vida monástica, para alegria do Imperador Ashôka, os dois foram mandados por ele em uma missão diplomática à ilha do Sri Lanka, com o objetivo de convencer aquele reino a também se tornar um país buddhista. É esta narrativa que segue abaixo. Confiram!


Saṅghamittā Therī

{feminino de Therô, monge veterano}


'Neste dia de lua cheia de Unduvap, ​​os buddhistas do Sri Lanka homenageiam a memória de Saṅghamittā Therī que junto com seu irmão, Ven. Mahinda Therô foi responsável pelo estabelecimento do Buddhismo naquele país há 2300 anos, no reinado de Devānaṃpiya Tissa. Uma característica significativa é que, quando o Ven. Mahinda Therô pregou o Dhamma em Anuradhapura, os ouvintes mais entusiasmados eram mulheres; aquelas de posição real, bem como as plebéias...


Tendo ouvido o sermão do Ven. Mahinda Therô, a Rainha Anula, esposa do vice-rei Mahá Naga, convencida da verdade da palavra do Buddha, informou ao rei de seu desejo de se tornar uma bhikkhuní (monja). Quando isso foi comunicado ao Ven. Mahinda Therô, ele apontou que, de acordo com as regras do Vinaya, não era permitido conceder o pabbajja às mulheres. Além disso, ele disse que isso poderia ser realizado se o rei enviasse uma mensagem ao Imperador Ashôka Maurya, que governava de Pataliputra (Patna moderna), solicitando que ele enviasse sua filha, a Ven. Saṅghamittā Therī e também trouxesse com ela uma muda da Árvore Bodhi em Gaya sob a qual o Buddha alcançou a iluminação.


Uma vez que assim foram estabelecidas relações diplomáticas entre a Côrte de Anuradhapura e a de Pataliputra. Portanto, Devānaṃpiya Tissa não hesitou em enviar seu ministro Arittha ao ao Imperador Ashôka Maurya com esses dois pedidos sinceros.


O Imperador estava relutante em enviar sua filha em uma missão ao exterior, mas por causa da insistência da Ven. Saṅghamittā Therī, ele finalmente concordou. Várias monjas acompanharam a Ven. Therī que navegou para o Sri Lanka carregando a muda da Árvore Bodhi, junto com o Ministro Arittha. Esta foi uma ação muito corajosa da parte da Ven. Saṅghamittā. Numa época em que as idéias bramânicas rígidas a respeito das mulheres prevaleciam na sociedade, era de fato um ato de grande coragem para uma mulher de nascimento real embarcar em uma viagem perigosa desacompanhada de qualquer membro do sexo masculino de sua família. Ela era de fato uma mulher liberada para encarar os desafios de uma sociedade dominada pelos homens.


Em Jambukolapattana, .. uma multidão de devotos encabeçados pelo rei e o Ven. Mahinda Therô receberam a Venerável Therī e a Árvore Bodhi. A muda foi levada em procissão para Anuradhapura, uma viagem que durou 14 dias a pé, e plantada no Parque Mahamegha em um terreno especialmente preparado, (Foi o local que Theo e eu visitamos, em Kandy, durante a última Conferência, quando todos os participantes foram levados a conhecer a gigantesca árvore)


Bikkhuní Sássana

{a Ordem das Monjas}


Saṅghamittā Therī então cumpriu sua missão mais importante ao ordenar Anula Deví (a Rainha que se tornou monja) e sua comitiva e estabeleceu o Bhikkhuni Sássana no Sri Lanka. O carisma e impacto da fundadora foi tal que as Bhikkunís do Sri Lanka eram mulheres ilustres e eruditas que foram internacionalmente reconhecidas e seguiam o exemplo de sua fundadora, viajando para o exterior para divulgar o Dhamma.


De acordo com fontes chinesas, elas navegaram para a China e iniciaram uma Ordem das Monjas da China que dura até hoje. Se especializaram em diferentes seções do Cânone Pali e ensinaram suas especialidades em toda a ilha.


Libertação das mulheres do Sri Lanka


A chegada da Ven. Saṅghamittā teve um impacto significativo na feminilidade do Sri Lanka. Muitos visitantes do Sri Lanka, muito antes do impacto do Ocidente ter sido sentido, comentaram sobre a liberdade social que as mulheres do Sri Lanka desfrutavam, de que não havia segregação de sexos e que elas participavam da vida social, religiosa e econômica da comunidade.


Esse foi o legado da Ven. Saṅghamittā e o exemplo do ousado e aventureiro grupo de monjas que ela criou. Foi a primeira embaixadora mencionada na história registrada, enviada por um Chefe de Estado a convite expresso de outro Chefe de Estado. Pertencendo à tradição monástica de Mahāpajāpatī Gotamī (a mãe de criação do Buddha), a primeira monja buddhista, ela exibia as mesmas qualidades da última - coragem e determinação e não aceitava não como resposta. Permaneceu no Sri Lanka pelo resto da vida trabalhando para a elevação das mulheres do Sri Lanka, longe de casa, amigos e parentes. Para a Ven. Saṅghamittā, uma mulher libertada em todos os sentidos da palavra, as mulheres do Sri Lanka têm uma grande dívida de gratidão.' - 'Ven. Sanghamitta Theri - uma mulher libertada'

pela Dra. Lorna Dewaraja


(Traduzido para o Português por Ajahn Sunanthô Therô)


NOTA: A imagem da Ven. Sanghamitta (“amiga da Sangha”), ainda a bordo do navio, junto com a muda da Árvore Bodhi, é uma gravura tradicional e muito popular, que está presente em todos os Templos Theravada de monges do Sri Lanka, pelo mundo todo)

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