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(54) 3244-6027

wuhaishifu@gmail.com

Templo Budista

Loteamento Alpes de São Francisco, Rua 3 - 401

São Franciso de Paula, RS - CEP: 95400-000

Agende sua visita nos telefones indicados.

 

Se estiver de passagem pelo local e REALMENTE tiver tempo para sentar e ouvir Ensinamentos sobre Budismo diretamente do Shifu (monge), todos são muito bem-vindos para tocar o sino do portão.

 

Reuniões aos Sábados ou Domingos, a partir das 15h.

Cadastre-se para participar por vídeo, caso não possa comparecer .

DO QUÊ NÓS MONGES VIVEMOS E POR QUE NÃO DEVEMOS TRABALHAR…

Atualizado: 11 de Set de 2019



Dajia hao!


Ganhar dinheiro, cada vez mais, tem sido o objetivo de todas as pessoas, em um mundo onde até a China e outros países teoricamente contrários ao Capitalismo, vem se rendendo cada vez mais ao consumo desenfreado de todo tipo de bens. Não são poucas as pessoas endividadas até o pescoço, com mais de um cartão de crédito “estourado”, o que deixa claro que, tendo – nem que seja a ilusão – de que há dinheiro na mão, as pessoas não se controlam e sempre acham onde gastar!


O Buddhismo prega o DESAPEGO – não a pobreza, a miséria – apenas o desapego e, se esse é um Ensinamento para os leigos, deve ser, acima de tudo, para nós monges. Como seres humanos que somos, se nós monges tivermos dinheiro à nossa disposição, assim como todos vocês leigos, teremos desejos, vontades e tentações de gastar em alguma coisa! Logo veremos que “precisamos muito” de algum bem e, com um cartão de crédito ou dinheiro sobrando no cofrinho, logo logo vamos querer consumir!


O Buddha foi bem claro ao nos PROIBIR até mesmo de tocar em dinheiro! Ele, como ex-príncipe, sabia muito bem do poder que os bens materiais exercem sobre a mente humana: não tem limite! A mente sempre quer mais coisas e, tentando nos enganar que será a última vez que ela pede algo, nós a atendemos e, nos esquecendo do que ela nos prometeu, no próximo pedido, cedemos de novo! Se um monge acha que pode trabalhar, que isso não vai alterar em nada os seus votos, seu compromisso com a vida monástica e, assim, arranja um emprego ou qualquer atividade remunerada, logo a coisa começa a perder o rumo, a degringolar.

Uma necessidade aqui, outra ali e, em pouco tempo o dinheiro não é suficiente… É preciso trabalhar mais, talvez fazer hora extra ou até mudar de trabalho para dar conta das necessidades e, quando se der conta, a vida monástica já não será tão monástica assim! O único jeito de preservar os Preceitos, o COMPROMISSO com a real vida de monge é NÃO TRABALHAR! Hoje em dia, principalmente no ocidente, é quase impossível seguir estritamente o que o Buddha estabeleceu e NEM TOCAR em dinheiro! A vida numa cidade, numa sociedade movida a dinheiro, leva nós monges a, inevitavelmente, irmos a um supermercado comprar comida ou estar diante de um caixa automático para sacar dinheiro!


Mas, é importante que esse dinheiro não venha de um emprego e sim das DOAÇÕES de vocês leigos! Sei que, neste momento deste texto metade dos leitores já se apavorou com a palavra DOAÇÃO… Mas é assim que nós monges devemos viver – da generosidade dos outros! E isso não é vagabundagem nem esmola, nem favor! É uma TROCA! Vocês leigos doam o que acharem que devem doar… Um pacote de macarrão? Ok! O pagamento da conta de água do Templo? Ok, também! Uma cesta básica? Muito bem! O TEMPO de ir até o Templo e limpar o jardim? Ótimo, seja bem-vindo! Qualquer que seja o valor mensal, qualquer que seja a ajuda compromissada, isso é DOAÇÃO! Se alguém puder doar CEM MIL reais por mês, ótimo, claro! Se a consciência da pessoa disser, sinceramente, que ela só pode doar VINTE a cada mês, é isso que nós monges aceitaremos, com profunda gratidão!


Foi assim que o Buddha fundamentou sua Comunidade Monástica e é assim que devemos viver, se queremos realmente ser monges! Não há outro modo! Toda vez que entendemos corretamente que nossa vida monástica depende inteiramente da GENEROSIDADE de vocês leigos, temos que manter vivo o compromisso de nos esforçarmos para estudar as Escrituras, para nos tornarmos mais e mais pacientes e perseverantes, prontos a ouvirmos as dúvidas e problemas de cada um de vocês e AJUDAR, de acordo com o que o Buddha nos deixou como herança – o Dharma!


Quanto mais vocês leigos DOAREM ao Templo, mantendo a nós monges em condições de vida com dignidade e proteção, mas capazes e preparados estaremos para RETRIBUIR a vocês, com nosso conhecimento do Buddhismo, pois assumimos o compromisso MORAL de nos dedicarmos a este tipo de vida, onde dependemos inteiramente do que nos doam! Se um monge está envolvido com reuniões de trabalho, abastecer o carro, cuidar do filho com febre, discutir o relacionamento com a mulher, ficar até tarde planejando a apresentação do projeto, etc, etc. Quando algum seguidor do Buddhismo o procurar para aconselhamento, ainda que ele tenha tempo de ouvir, dificilmente terá a mesma dedicação de um MONGE DE VERDADE, que se ocupa exclusivamente de viver do modo de vida que o Buddha indicou e ele mesmo vivenciou!


Espero que esta postagem esclareça melhor a vocês, que nem sempre tem ideia do que é realmente ser monge ou têm uma visão distorcida do modo como vivemos. Possam todos refletir sobre a importância de nosso trabalho e do quanto cada um pode se beneficiar dele, desde que agindo de acordo com o que o Buddha estabeleceu. O que o Iluminado instituiu, sempre será o modo correto… Não há o que argumentar, nem como duvidar!


Monge Wu Hai Laoshi

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