FALANDO SOBRE A DIFICULDADE DOS PRECEITOS

Atualizado: Jul 23



Sukhí Hôtu (que você possa estar bem e feliz)!


Qualquer praticante sério do Buddhismo (budismo), sabe que existem os CINCO PRECEITOS que devem ser o guia de vida de todo leigo. Para muitos, “não tirar intencionalmente a vida de nenhum ser vivo” - o Primeiro Preceito – não parece ser tão difícil… “Não pegar para si o que não lhe foi dado pelo dono” - a menos que alguém seja ferrenho defensor da tolice de que “achado não é roubado!” também não é muito complicado de seguir… O Terceiro Preceito pode ser mais complicado para um povo libidinoso que parece viver em função de praticar sexo como é o brasileiro! Fidelidade à pessoa com quem se tem um compromisso de vida a dois, pode ser um obstáculo na prática do Buddhismo. Mesmo assim, há quem consiga e não veja problema nisso!


Chegamos aos dois Preceitos mais difíceis, o Quarto e o Quinto e o meu objetivo nesta postagem é focar no quinto e último Preceito, portanto, passarei “meio batido” pelo Quarto, que se refere ao uso correto das palavras – não xingar, não usar de linguagem ilusiva, não prometer coisas que não tenha a intenção de cumprir, não usar de linguagem agressiva nem vulgar, não mentir e evitar tagarelice e linguagem fútil. Com certeza, um exercício de Atenção Plena para todos os que querem seguir o Quarto Preceito e entendem sua importância…


Já o Quinto Preceito, embora difícil de ser cumprido pelos “amantes das bebidas alcoólicas” e adeptos de “acender unzinho” para relaxar, tem uma dificuldade adicional que as pessoas não notam! Já que o Preceito diz: “não fazer uso de substâncias que alterem o estado puro e natural da mente” e, para piorar a má interpretação, é frequentemente interpretado como “não usar substâncias intoxicantes”, o Preceito fica entendido como não consumir álcool e outras drogas e ponto final!


Acontece, porém, que há diversas outras substâncias intoxicantes e capazes de alterar o estado puro e natural da mente e essas, por não serem explicitamente alcoólicas ou drogas, não são notadas, passam desapercebidas e é aí que mora o perigo, para os que querem seguir o Quinto Preceito como deve ser realmente! Muitas coisas são capazes de nos inquietar e, tudo o que nos causa inquietação, diretamente afeta o estado puro e natural de nossa mente, portanto, o consumo dessas coisas ocasiona em quebra do Quinto Preceito!

Se alguém não consegue raciocinar sem ouvir música, por exemplo e, toda vez que não há música no ambiente fica confuso ou perturbado, isso já é inquietação mental afinal, todo ser vivo deve ser capaz de continuar suas atividades diárias sem ter música ligada! Se a falta de música causa inquietação mental, podemos dizer que a pessoa está viciada em música e isso não é bom! Se a primeira coisa que alguém faz ao entrar em casa é ligar o som, isso é sintoma de que a mente está dependente de música, tanto quanto um viciado em qualquer bebida ou outra droga.


Os jogadores de “games” advogam que os jogos desenvolvem a capacidade de raciocínio, de lidar com situações inesperadas e todo tipo de argumento em defesa de seus jogos… Não vou aqui contra-argumentar, até porque não jogo “game” algum para ter base se isso é benéfico ou não. Meu ponto de vista é que, EM EXCESSO, como qualquer outra atividade, jogar esses jogos realmente se torna viciante e prejudicial. O medidor, o “termômetro” para avaliar isso é quando a pessoa deixa de fazer outras atividades, deixa de cumprir com seus compromissos, decepciona aos que estão esperando por alguma coisa prometida etc em função de ficar o tempo todo, literalmente, presa aos jogos. Se jogar “games” tira as horas de sono da pessoa, baixa sua produtividade para outras atividades, a torna má cumpridora de seus compromissos, negligente, afastada da prática do Buddhismo… Se torna óbvio que a pessoa já não tem mais a lucidez da mente em seu estado puro e natural! Os “games”, então, já se tornaram um vício tão sério quanto o do álcool e outras drogas! Exemplifico aqui os "games", mas também podem ser igualmente destrutivos outros excessos, como comer demais, ou sexo, ou filmes da Netflix e até o uso do Facebook! Qualquer excesso que cause dependência na mente, é uma quebra do Quinto Preceito e deve ser evitado.


A base da prática buddhista (budista), do chamado Caminho do Meio, é a moderação em tudo o que fazemos e, para que seja alcançada essa moderação, é preciso Atenção Plena em tudo o que nos surge na nossa rotina diária. Se não houver uma profunda autocrítica, uma profunda análise de suas próprias atitudes, o praticante estará perdendo tempo em nome da prática! Ela será apenas teórica ou literária enquanto que, na realidade, nas atitudes e ações não estará de acordo com o que realmente o Buddha (Buda) nos ensinou – a Purificação Mental!


Fica aqui meu alerta, a todos os que já receberam os Cinco Preceitos ou que pretendem assumir para suas vidas este importante Treinamento de Purificação Mental! Cabe que cada um deles seja analisado em sua profundidade e não superficialmente. Cabe que cada um faça um exame de consciência, sincero e realista e realmente se empenhe em deixar que os Preceitos elaborados pelo Iluminado sejam, no dia a dia, a orientação de suas vidas.


Fiquem todos em Paz e protegidos!


Monge Sunanthô Bhikshú



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