FAZENDO MINHAS AS PALAVRAS DE UM VERDADEIRO GRANDE MESTRE!


Luang Ta Maha Bua and Phra Maha Amborn in Ban Taad, Udon Thani, 1965
หม่อมหลวงชัยนิมิตร นวรัตน (Mom Luang Chainimit Navarat), CC BY-SA 2.5, via Wikimedia Commons

Eu, ao contrário de muitos monges, quase nunca falo sobre compaixão! Isso, porque é uma palavra complicada para o entendimento comum. É facilmente confundida com "pena", muito desgastada exatamente por tanta gente falar sobre ela e, muitas vezes distorcendo o significado de um sentimento tão puro e profundo. Mas, o fato de eu não me manifestar muito sobre o tema compaixão, não significa que eu não a sinta, em relação a cada um de meus orientados e das pessoas que, muitas vezes totalmente confusas e desorientadas, vêm à minha procura, na mídia ou pessoalmente.


Acho que alguém, quando se torna monge na idade adulta e por decisão própria - não por ter sido deixado quando criança em algum Templo, tem que entender a compaixão, praticar e ter sempre uma boa dose dela à disposição de quem nos procura. É preciso que o monge, verdadeiro e bem intencionado, entenda que, sem compaixão, não podemos realmente ajudar a ninguém. Vão nos faltar: tempo, paciência, capacidade de ouvir, a palavra certa para orientar, o entendimento profundo da necessidade de quem nos procurou... Enfim, tudo isso é diretamente dependente do quanto de compaixão cada monge tem no coração para efetivamente ajudar a alguém!


Quando conseguimos realmente orientar a alguém e vemos o progresso dessa pessoa na prática do Ensinamento do Buddha, é aí que está a realização da vida monástica. Apesar das doações insuficientes, do não entendimento da maioria das pessoas do que é Buddhismo, do desrespeito que tantas vezes sofremos, tudo isso é compensado toda vez que um orientado por nós progride na prática e, é nos eventuais momentos de desânimo (sim! nós monges também desanimamos!) que aparecem "do nada", textos como o que eu traduzi abaixo, onde o Venerável Ajahn Mahá Búwa ("grande flor de lótus") um dos maiores mestres da História do Buddhismo, fala exatamente o que eu mesmo poderia ter dito. Confiram!


Ajahn Sunanthô


Visitante Leigo: Por compaixão pelos seus alunos, que o Venerável Ajahn (mestre) viva muito.


Phra Ajahn Mahá Búwa: Terei compaixão enquanto este corpo permitir. Quando o corpo quebrar, não serei capaz de fazer nada a respeito. Eu não posso controlar isso. Que os alunos também tenham compaixão pelo mestre. Que eles levem a sério o que é ensinado e o coloquem em prática.

Quando os alunos não praticam, o monge fica cansado. Às vezes, tudo o que é ensinado entra por um ouvido e sai pelo outro. Mesmo que eles voltem dias ou meses depois, eles ainda não mudaram em nada. Quando isso acontece, o professor desanima. Os alunos ficam presos na 1ª série e se recusam a passar para a 2ª ou 3ª série. Eles não querem se formar na faculdade.


Oh, tenha consideração pela pessoa que está ensinando também! Não é apenas para o monge ter amor incondicional pelos orientados. Na verdade, o aluno também deve ter amor incondicional com o mestre. Se os alunos concluírem seus estudos, então "Oh!" Isso realmente encorajará o mestre a viver muito tempo, porque então ele verá os resultados surgidos de seu ensino.


Realmente não há nada como ver as pessoas se libertarem do sofrimento. Ver as pessoas chorarem é tão triste; não seria melhor ver elas rindo? Não seria melhor ver elas felizes? Verdadeiramente, uma vez que alcançamos o Dhamma (o Ensinamento do Buddha), podemos rir mesmo quando estamos doentes e morrendo, porque o Dhamma nos ensina a saber que o corpo não somos nós ou nosso.


O corpo é apenas uma casa em chamas, uma montanha que pesa no coração. Todos os dias nos sentimos sobrecarregados e com o coração pesado por causa das questões relacionadas ao corpo, como ganhar a vida e manter nosso corpo para que ele possa viver livre de doenças. Todas essas coisas giram em torno do corpo. Se não houvesse corpo, seríamos alegres. Ou para obter o mesmo resultado enquanto há um corpo, não nos apegamos a ele ou acreditamos que ele seja nós mesmos.

Que você tenha compaixão pelo seu professor e vá praticar. Então você pode voltar e me dizer: “Agora estou tão feliz! Não estou mais incomodado com meu corpo. Se algo acontecer com ele, mesmo que morra, eu posso aceitar. Não é um problema mesmo. ” Se isso acontecer, por compaixão viverei muito tempo."


- O Venerável Mahá Búwa foi companheiro de prática do também grande mestre, Ven. Ajahn Chah. O Venerável Ajahn Mahá Búwa era tão sábio e respeitado na Tailândia, que o próprio Rei, sempre que tinha que tomar uma decisão importante para o país, não o fazia sem antes ouvir o aconselhamento do Venerável grande mestre!


(Traduzido do Inglês por Ajahn Sunantho)

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