GIRIMÁNANDASUTTAM: O SUTRA PARA GUIRIMÁNANDA

Atualizado: 28 de Ago de 2018



Assim me foi oralmente transmitido.

Certa ocasião, o Mestre estava passando um tempo em Sávatti, no bosque do Príncipe Jetá, no parque doado pelo milionário Anáthapindika. Nessa ocasião, o Venerável Monge Guirimánanda estava doente, sofrendo de uma doença grave. Então, de fato, o Venerável Ánanda, atendente pessoal do Mestre Buddha, foi até o local onde o Mestre estava. Após aproximar-se, fez prostrações em respeito e sentou-se na postura recomendada. Então, disse ao Mestre: "Senhor, o Ven. Guirimánanda está sofrendo de uma grave doença. Seria bom, Senhor, se o Mestre se aproximasse dele e por ele demonstrasse compaixão."


O Mestre falou: "Se, de fato, Ánanda, você tivesse se aproximado do Monge Guirimánanda e com ele falado sobre as Dez Percepções ele teria sido imediatamente curado de sua grave doença. Quais são as Dez Percepções?


A percepção da impermanência de todas as coisas, a percepção da inexistência de uma alma ou ego, a percepção das impurezas do corpo, a percepção do perigo, a percepção da destruição das paixões, a percepção do desprazer, a percepção da cessação, a percepção do descontentamento com as coisas do mundo, a percepção da impermanência das formações mentais e a percepção da atenção plena na entrada e saída do ar no processo de respirar.


E, Oh Ánanda, qual é a percepção da impermanência de todas as coisas?

Neste caso, Oh Ánanda, um monge ou leigo que se dedique à prática dos Ensinamentos, vivendo na cidade ou opte por viver debaixo de uma árvore ou num local isolado, percebe o seguinte: A forma física é impermanente, as sensações são impermanentes, a percepção é impermanente, as conexões mentais são impermanentes, a consciência é impermanente. Assim, passa a viver refletindo sobre a impermanência de todas as coisas que causam a existência. Esta, Oh Ánanda, é chamada de percepção da impermanência de todas as coisas.


E, Oh Ánanda, qual é a percepção da impossibilidade de existência da alma ou de um ego imutável?

Neste caso, Oh Ánanda, um monge ou leigo que se dedique à prática dos Ensinamentos vivendo na cidade ou opte por viver debaixo de uma árvore ou num local isolado, percebe o seguinte: O olho é desprovido de uma alma, as formas físicas não têm alma, a orelha não tem alma, os sons e barulhos não têm alma, o nariz não tem alma, os aromas não têm alma, a língua não tem alma, o paladar não tem alma, o corpo não tem alma, as sensações táteis não têm alma, a mente não tem alma, os pensamentos não tem alma. Desta forma, as seis esferas interiores e as seis esferas exteriores a elas associadas são interdependentes, não podem viver isoladamente, não têm existência própria, portanto, não constituem um ego permanente e não têm uma alma. Assim, passa a viver refletindo sobre a inexistência de uma alma ou ego imutável. Esta, Oh Ánanda, é chamada de percepção da impossibilidade de existência da alma ou de um ego imutável.


E, Oh Ánanda, qual é a percepção das impurezas?

Neste caso, Oh Ánanda, um monge ou leigo que se dedique à prática dos Ensinamentos vivendo na cidade ou opte por viver debaixo de uma árvore ou num local isolado, percebe o seguinte: Há sujeira e impurezas de vários tipos por todo o corpo, dos pés até o topo da cabeça e dos cabelos até a ponta dos pés, tais como o cabelo da cabeça, os pelos do corpo, as unhas, os dentes, a pele, a carne, os ossos, a cartilagem, os rins, o coração, o fígado, a bile, o catarro, pus, sangue, suor, gordura, graxa, saliva, muco nasal, flúidos, urina e, dentro da cabeça, o cérebro. De todas as partes do corpo saem mau cheiro, secreções e todo tipo de substâncias impuras e em decomposição. Assim, passa a viver refletindo sobre a impureza do corpo. Esta, Oh Ánanda, é chamada de percepção da impureza do corpo.


E, Oh Ánanda, qual é a percepção do perigo?

Neste caso, Oh Ánanda, um monge ou leigo que se dedique à prática dos Ensinamentos vivendo na cidade ou opte por viver debaixo de uma árvore ou num local isolado, percebe o seguinte: Este corpo físico é cheio de sofrimento, tem muitos perigos. Dele podem surgir muitas aflições, tais como doenças no olho, doenças de ouvido, doenças na língua, doenças do corpo, doenças na cabeça, doenças na boca, doenças nos dentes, tosse, asma, catarata, calores, febre, doenças do abdomem, desmaios, desinteria, dor aguda, cólera, hanseníase, abcessos, infecções cutâneas, eplepsia, parasitas cutâneos, coceiras, escamação da pele, doenças nas unhas que causam feridas, afecções através do sangue e da bile, diabetes, paralisia, câncer, úlcera, aflições que surgem através da bile, do catarro, dos resfriados, aflições que surgem das variações do estado físico, aflições que surgem da mudança das estações, aflições que surgem das discrepâncias no cuidado com o corpo, aflições com espasmos, aflições que surgem como resultado do mau karma, frio, calor, fome, sede, excrementos fecais e urina. Assim, passa a viver refletindo sobre os perigos do corpo que, aparentemente é bonito e atraente mas, na realidade um grande foco de perigos. Esta, Oh Ánanda, é chamada de percepção dos perigos do corpo.


E, Oh Ánanda, qual é a percepção da destruição das paixões (que nos aprisionam no constante ciclo de renascimentos)?

Neste caso, Oh Ánanda, um monge ou leigo que se dedique à prática dos Ensinamentos vivendo na cidade ou opte por viver debaixo de uma árvore ou num local isolado, percebe o seguinte: A prática dos Ensinamentos traz calma, é excelente, acalma as formações mentais, conduz ao fim do renascimento, leva à extinção do apego, ao fim das paixões pelas coisas vulgares, encaminha ao Nirvána. Assim, passa a viver refletindo sobre a destruição das paixões que distorcem a visão sobre as coisas, que criam ilusões e apego, trazendo sofrimento e decepção. Esta, Oh Ánanda, é chamada de percepção da destruição das paixões.


E, Oh Ánanda, qual é a percepção da cessação (de tudo o que dá origem a um novo renascimento)?

Neste caso, Oh Ánanda, um monge ou leigo que se dedique à prática dos Ensinamentos vivendo na cidade ou opte por viver debaixo de uma árvore ou num local isolado, percebe o seguinte: Através da prática dos Ensinamentos, a mente vai gradativamente se acalmando, as formações mentais (que causam desejos, ansiedades, erros de visão, cobiça etc.) diminuem. Assim, desiste-se de todo resíduo que causa o renascimento, extinção do apego, cessação (da dualidade de conceitos), (atinge-se) o Nirvána. Esta, Oh Ánanda, é chamada de percepção da cessação.


E, Oh Ánanda, qual é a percepção do não-deleite com as coisas do mundo todo?

Neste caso, Oh Ánanda, um monge ou leigo que se dedique à prática dos Ensinamentos vivendo na cidade ou opte por viver debaixo de uma árvore ou num local isolado, ao perceber que, em todas as partes do mundo há estratagemas, falsos dogmas, apego, decisões, aderências e tendências da mente, as abandona, não mais se delicia (em seguir tais coisas, não mais se afiliando a crenças radicais, a instituições que formem na mente opiniões ferrenhas sobre o que quer que seja). Esta, Oh Ánanda, é chamada de percepção do não-deleite com as coisas do mundo todo.


E, Oh Ánanda, qual é a percepção da impermanência de todas as formações mentais?

Neste caso, Oh Ánanda, um monge ou leigo que se dedique à prática dos Ensinamentos vivendo na cidade ou opte por viver debaixo de uma árvore ou num local isolado, (percebe) e torna-se preocupado, envergonhado e (até mesmo) enojado por causa das formações mentais (que surgem, criam apego e parecem ser permanentes e imutáveis e depois desaparecem, do mesmo modo como surgiram). Esta, Oh Ánanda, é chamada de percepção da impermanência das formações mentais.


E, Oh Ánanda, qual é a percepção da entrada e saída do ar (durante o processo respiratório)?

Neste caso, Oh Ánanda, um monge ou leigo que se dedique à prática dos Ensinamentos vivendo na cidade ou opte por viver debaixo de uma árvore ou num local isolado, senta-se com as pernas cruzadas, pondo o corpo com a coluna ereta, buscando diante de si a atenção plena. Ele inala (sente o ar entrar naturalmente pelas narinas) com atenção plena. Ele exala (observa o ar sair naturalmente pelas narinas) com atenção plena. Quando a inalação do ar é profunda ele observa: “Uma inalação longa e profunda!” Quando sua exalação é profunda, ele sabe: “Uma exalação longa e profunda!”


Quando ele inala de forma curta, ele sabe: “Uma inalação curta!” Quando sua exalação é curta ele sabe: “Uma exalação curta!”

Assim, ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando experimentando o corpo todo!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando experimentando o corpo todo!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Ao inalar estou aquietando os (elementos) constituintes do corpo!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Ao exalar estou aquietando os (elementos) constituintes do corpo!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando experimentando o prazer!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando experimentando o prazer!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando experimentando a felicidade!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando experimentando a felicidade!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando experimentando os constituintes da mente!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando experimentando os constituintes da mente!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando, aquietando os constituintes da mente!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando, aquietando os constiuintes da mente!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando, experimentando a mente!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando, experimentando a mente!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando, fazendo com que a mente se alegre!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando, fazendo com que a mente se alegre!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando, compondo a mente!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando, compondo a mente!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando, permitindo à mente se libertar!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando, permitindo à mente se libertar!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando contemplando a impermanência (de todas as coisas no Universo)!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando contemplando a impermanência (de todas as coisas no Universo)!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando, contemplando a dissipação (das formações mentais)!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando, contemplando a dissipação (das formações mentais)!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando, contemplando a cessação (das coisas que dão origem a um novo renascimento)!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando, contemplando a cessação (das coisas que dão origem a um novo renascimento)!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou inalando, contemplando a rejeição (às coisas mundanas e impuras do mundo)!”

Ele treina a si próprio, pensando: “Estou exalando, contemplando a rejeição (às coisas mundanas e impuras do mundo)!”


Esta, Oh Ánanda, é chamada a percepção da entrada e saída do ar (durante o processo respiratório).

Se você, Oh Ánanda, de fato, tivesse se aproximado do monge Guirimánanda, tivesse exposto a ele estas Dez Percepções, teria ocorrido que, ao ouví-las (e praticá-las corretamente), o monge Guirimánanda teria se curado de sua doença.


Então, aconteceu que o Venerável Ánanda, após ouvir e aprender do Mestre as Dez Percepções, foi ao local onde estava o Venerável Guirimánanda e transmitiu a ele as Dez Percepções, exatamente como o Buddha havia ensinado.


Assim, após ouvir, entender e praticar corretamente as Dez Percepções que a ele foram transmitidas pelo Venerável Ánanda, conforme o Buddha as havia ensinado, o Venerável Guirimánanda, após um curto tempo, ficou curado de sua séria doença.


Breve comentário sobre este Sutra:


As Dez Percepções aqui ensinadas pelo Buddha são, na verdade, uma das diversas ocasiões, para diversas pessoas, em que o Mestre apresentou a essência do Dharma. Através do uso da Atenção Plena, podemos observar e enxergar as coisas como realmente são. Reforçando a observação através da prática da Meditação Sentada, o praticante renova suas forças e intensifica a prática dos Ensinamentos.


Não quero aqui levantar polêmica quanto à cura de doenças através da prática da Meditação. Não sou médico e nunca presenciei nenhum caso de cura deste tipo mas, ao longo de minhas andanças pela Ásia, ouvi diversos relatos, tanto de monges quanto de leigos, sobre pessoas que se curaram até mesmo de estados avançados de câncer, somente usando a Meditação como terapia.


Sabemos, com concordância científica, que nossa mente é muito mais poderosa do que imaginamos e que utilizamos uma parte insignificante de seu potencial real, portanto, se não quero afirmar tampouco posso negar os poderes da Meditação como terapia para doenças físicas.


Fiquem todos em Paz e protegidos! Agradeço aos que puderem divulgar este Sutra, mencionando ser de autoria do Buddha com acréscimo de meus comentários, todos entre parênteses.



悟海法師

Fonte: Acesso ao Insight

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