INTERESSE NO BUDISMO

Atualizado: Jul 23



Hoje em dia, já com 15 anos de vida monástica portanto, já sendo um veterano, como moro no Brasil, em muitos momentos sinto falta de conversar e analisar o Dharma junto com outros monges da Tradição Theravada à qual pertenço. Era uma prática quase que diária na Ásia, principalmente com meus colegas de manto em Taiwan, onde estudávamos Mandarim e tínhamos tempo para longas conversas.

Por sentir falta de conversar sobre o Dharma, mesmo sendo monge, fica difícil entender como as pessoas que dizem querer aprender ou progredir no Buddhismo (Budismo), hoje em dia têm acesso direto a alguém qualificado para ensinar a Mensagem do Buddha (Buda) e parecem não estar nem aí para nós monges! Na época em que conheci o Buddhismo, a sensação foi de alguém há dias num deserto escaldante que, de repente encontrou um oásis com água pura e cristalina brotando do solo! Eu me lembro claramente que queria mais e mais Dharma, mais e mais informações que puxassem por minha mente e me fizessem raciocinar! Naquela época, na segunda metade dos anos 90, era raro as pessoas terem computador em casa. Existiam os modelos grandes, com aqueles monitores de tubo e a internet era de discagem, com aquele ruído horrível e a dificuldade de conexão era grande! Claro que nem se sonhava em acessar monge no Facebook, porque ele não existia!

O falecido Internet Café, pai das Lan Houses, eram caros, precários, sempre lotados, fazendo a gente ficar na fila de espera por um computador vago… No canto da tela, um reloginho em contagem regressiva, marcava quanto tempo nos restava até cair a conexão e ter que pagar de novo, por mais uma rodada de uso! Era assim que eu fazia, vorazmente, minhas pesquisas de Buddhismo! Fora isso, aguardava ansioso pelo dia de ir ao Templo – uma longa caminhada em subida, debaixo do sol de verão carioca, para chegar até lá, sempre carregando algumas sacolas de supermercado, com alimentos para meu primeiro mestre!

Eram momentos maravilhosos, onde encontrava nele as respostas a todos os meus questionamentos! Na verdade, um duelo no qual ele me torturava com perguntas instigantes e me chamava de tolo e incompetente, a cada vez que eu respondia errado ou dizia não saber a resposta! O interessante é que nada daquilo me ofendia! Eu não saía chorando, nem “batendo o pezinho” nem achava que ele não era um monge por ter me chamado de idiota! Pelo contrário! Eu realmente admitia que estava sendo idiota por não pensar, por não me questionar! O “xingamento” (assim mesmo, entre aspas!) era um incentivo para me fazer raciocinar, para derrubar o conceito de que eu era o “rei da cocada preta”, que sabia de tudo quando, na verdade, era realmente um tolo, sem a menor noção sobre o Dharma!

Por ter passado por tudo isso – e passaria dez vezes mais se preciso fosse – e estar profundamente grato a tudo o que tive a oportunidade de vivenciar, é que não consigo – realmente não consigo – entender como as pessoas ficam alheias diante da oportunidade de massacrar um monge com perguntas, testar ao extremo o conhecimento dele, sugar respostas, como um leitão nas tetas da porca! Não sei que tipo de Buddhismo pensam que conhecem, que tipo de necessidades supérfluas elas têm ou que ausência zero de questionamento podem ter mentes tão isentas de visão correta sobre a vida…

Eu não corro atrás de pessoas… Não insisto para mostrar coisa alguma a elas… Não é assim que o Buddha nos orientou a divulgar sua Mensagem! Como comportamento correto de um monge, cabe a mim apenas APRESENTAR a Mensagem, apontar o Caminho e tentar, no máximo, instigar a curiosidade das pessoas. Àqueles que demonstrarem verdadeiro e sincero interesse – e somente a esses – eu devo dedicar toda a atenção e me empenhar ao máximo na orientação deles. Fora isso, só me resta observar e lamentar que esses sejam sempre tão poucos mas, como o próprio Buddha já sabia, o Ensinamento dele sempre será para muito poucos mesmo!

Fiquem todos em Paz e protegidos!


Monge Sunanthô Bhikshú




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