MEDITAÇÃO É COISA SÉRIA



Sukhí Hôtu!


Embora venha sendo banalizada na mídia e haja todo tipo de picaretas se dizendo "coach de meditação", é importante que ela seja praticada por quem realmente saiba o que está fazendo e como orientar os praticantes. Uma má orientação, um despreparado guiando pessoas, pode trazer sérios riscos aos praticantes, porque meditar é lidar diretamente com o modo como a mente de alguém se comporta e reage à prática. Isso é tão sério, que há até mesmo pessoas cujo estado mental, de alguma forma psíquica perturbado, não podem nem devem meditar.


Aqui, se referindo à mente saudável e já pronta para meditar, o Venerável Ajahn Chah ("adjáan tcha"), grande mestre da Tradição Theravada de Buddhismo, nos dá uma explicação técnica e profunda sobre o Samādhi, o estado de êxtase durante a meditação e nos alerta sobre os perigos de não estarmos bem atentos sobre como alcançar este estado, não nos apegarmos a ele e como saírmos dele fazendo com que tenha sido benéfico esse estado. Confiram!


Ajahn Sunanthô


SOBRE OS PERIGOS DE SĀMADHI - POR AJAHN CHAH.


"Samādhi é capaz de trazer muitos danos ou benefícios para o meditador, você não pode dizer que traz apenas um ou outro. Para quem não tem Sabedoria, isso é prejudicial, mas para quem a tem, pode trazer benefícios reais, pode levar ao Insight (percepção).


Aquilo que pode ser mais prejudicial para o meditador é o Samādhi de Absorção (Jhāna), o Samādhi com calma profunda e sustentada. Este Samādhi traz grande paz. Onde há paz, há felicidade. Mas quando há felicidade; o apego e demora em se desapegar dessa felicidade surgiria. O meditador não deseja contemplar mais nada, ele apenas deseja se entregar a essa sensação agradável. Depois de praticar por muito tempo, podemos nos tornar adeptos de entrar neste Samādhi muito rapidamente. Assim que começamos a notar nosso objeto de meditação, a mente fica calma e não queremos sair para investigar nada. Nós apenas ficamos presos nessa felicidade. Este é um perigo para quem está praticando meditação sem uma orientação.


Devemos usar “Upacāra Samādhi” (Upadjáara Samādhi, a prática controlada para alcançarmos o Samādhi). Aqui, entramos na calma e então, quando a mente está suficientemente calma, saímos e olhamos para a atividade externa. Olhar para o exterior com uma mente calma dá origem à Sabedoria. Isso é difícil de entender, porque é quase como o pensamento e a imaginação comuns. Quando o pensamento está presente, podemos pensar que a mente não está em paz, mas na verdade esse pensamento está ocorrendo dentro da calma. Existe contemplação, mas não perturba a calma. Podemos criar o pensamento para contemplá-lo. Aqui pegamos o pensamento para investigá-lo, não é que estejamos pensando a esmo para investigá-lo, não é que estejamos pensando sem rumo ou adivinhando; é algo que surge de uma mente pacífica. Isso é chamado de "consciência dentro da calma e calma dentro da consciência".


Se for simplesmente pensamento e imaginação comuns, a mente não ficará em paz, ficará perturbada. Mas não estou falando sobre o pensamento comum, este é um sentimento que surge da mente pacífica. É chamado de "contemplação".

A Sabedoria nasce exatamente aí."


- Ven. Ajahn Chah


Nota:

O que o Ven. Ajahn Chah chama de "Atividade externa" refere-se a todos os tipos de impressões sensoriais. É usado em contraste com a "atividade interna" do Samādhi de Absorção (jhāna, os diferentes estágios de aprofundamento na Meditação), onde a mente não "sai" para as impressões sensoriais externas.


Traduzido para o Português, com explicações entre parênteses, por Ajahn Sunanthô


#Budismo #BudismoTheravada #Mindfulness #MeditaçãoBudista #TradiçãoTheravada #AjahnChah #Meditação #Sabedoria #Samādhi

14 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo