MEDITAMOS PARA NADA!



Sukhí Hôtú!


Embora a meditação esteja "em moda" e muita gente diga que quer meditar, o fato é que, a grande maioria das pessoas, mesmo as que já tentam praticar, não sabem nem o que estão fazendo nem para que realmente serve a meditação!


Muitos tentam por conta própria ou com algum "tutorial" do Google, outros usam MP3 de músicas tranquilas, enfim, há de tudo... Mas, se perguntarmos a razão da pessoa estar meditando, ou, ao menos tentando, ela não saberá dizer exatamente. A resposta, no entanto é que MEDITAMOS PARA NADA! Isso mesmo... Meditamos para absolutamente NADA e, quem está meditando para ter resultados, principalmente os imediatos, pode ter certeza de que está no caminho errado. Palavra de monge!!


O que quer que vamos receber, de longo a muito longo prazo, através da prática da meditação, ser apenas EFEITO COLATERAL. Nosso objetivo ao sentamos na postura de meditação - seja sentados de pernas cruzadas ou usando uma cadeira (sim! uma cadeira), deve ser simplesmente focar na respiração, no ATO DE RESPIRAR, sem expectativa alguma, sem objetivo algum, pura e simplesmente uma atividade de sentar e observar, atentamente, o ato que fazemos desde nosso primeiro contato com o mundo, após o corte do cordão umbilical - respirar! - esse ato que não conseguimos parar de fazer e, no entanto, nunca prestamos atenção alguma nisso.


Com a continuidade da prática, com o aumento do tempo de cada sessão e, sempre sem esperar coisa alguma da meditação, os resultados começarão a surgir: mais concentração aqui, menos ansiedade ali, menos reações de raiva, mas calma ao lidar com as pessoas, menos preocupação com coisas que, meses antes, pareciam tão urgentes e angustiantes! Quando o praticante menos esperar, se pegará reagindo de forma tranquila e controlada, em situações onde antes teria "chutado o pau da barraca".


Vejam a opinião do Veneravel Henepôla Gunarátana, um grande sábio, um veterano respeitado no mundo todo, sobre a meditação:


Ajahn Sunanthô


"As raízes prejudiciais não estão fora de nós. Ganância, ódio e ilusão ou confusão vêm de dentro, em nossas próprias mentes. Portanto, quando meditamos, podemos ver como a ganância surge em nós, como o ódio e a confusão surgem em nós. E então imediatamente tentamos não cultivá-los, não nos deixamos levar por tais estados da mente. Nós os abandonamos e os substituímos por estados mentais benéficos.


Podemos evitar que eles surjam. ou podemos ver em nossos momentos de desatenção esses estados mentais surgirem e, então, imediatamente tentar cortá-los pela raiz. Por exemplo, quando a ganância assume o controle, há um espaço em nossa mente para cultivar a generosidade - abandonar a ganância. Quando o ódio desaparece, há espaço em nossa mente para gerar amizade pura e desinteressada - "mettá". Quando a ilusão se desvanece, há espaço em nossa mente para desenvolver Sabedoria.


Assim, poderemos remover essas coisas um pouquinho de cada vez, não tudo. Mas, lenta e gradualmente, elas se tornam mais fracas e, eventualmente, desaparecem. E é assim que aprendemos a neutralizar a frustração e, eventualmente, nos livrarmos dela."


Trecho do livro "What, Why, How" (O quê, Por quê, Como) do Venerável Bhantê Gunarátanha

(Traduzido para o Português por Ajahn Sunantô)


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