METTÁ SUTRA: O SUTRA DO AMOR UNIVERSAL

Atualizado: 28 de Ago de 2018



Dàjiā hǎo!


Antes de lermos o Sutra (Escritura Buddhista) sobre o Amor Universal, é muito importante sabermos exatamente o que isto quer dizer. Um dos pilares, uma das principais bases do Ensinamento do Buddha é a não-diferenciação, a não-dualidade de conceitos, porque, justamente o que nos prende ao sucessivo ciclo de renascimentos através dos tempos é o apego ferrenho que temos a nossos conceitos, nossas ideias, hábitos, costumes, paixões, amores e ódios.


Na ótica buddhista, AMOR não é algo mundano, carnal, ligado a atração física ou sexo. Tampouco se refere ao sentimento, por exemplo, de uma mãe por seu filho ou vice-versa. Isto porque o amor materno, por mais bonito que seja, tem uma relação afetiva direta e um tanto quanto possessiva: "Amo MEU filho!"


Então, que tipo de sentimento é esse que o Buddhismo define como "Amor Universal"? Chama-se METTÁ ou MAITRYÍ e é o mais sublime e puro dos sentimentos que a mente humana pode desenvolver! Isto porque Mettá é sentido e emitido igualmente por todos os seres, sem distinção alguma, sem diferenciação, nem mesmo entre humanos e animais... Difícil, não? Isto porque, aquilo que chamamos de amor puro, sempre está direcionado aos seres que nos são queridos, conhecidos, socialmente conectados a nós etc. etc. Não pensamos em ter esse sentimento tão desinteressado, tão altruísta e puro por pessoas e seres com os quais não temos nenhum laço de união. E exatamente por isso, desenvolver METTÁ é uma tarefa difícil, requer prática, purificação mental, exercício constante de paciência, compaixão e tantas outras virtudes! Quanto mais praticamos, menos difícil se torna o processo, mas, é bom lembrar: Mettá não é mágica, não se desenvolve instantaneamente! Vai surgindo lentamente, sem que nos apeguemos ao objetivo de vê-la surgir em nós... Se quer desenvolver Mettá em sua mente, apenas pratique as virtudes, apenas inicie e se mantenha no processo de purificação - Mettá será uma consequência natural do processo.


Esperando que minha explicação esteja clara, agora, então, vamos ao Sutra do Amor Universal. Como nas outras vezes, meus comentários e explicações vão entre parênteses. Leia com atenção e introspecção!



悟海法師


KARANIYAMETTASUTRAM


Assim falou o Buddha:


"Aquele que é habilidoso no desenvolvimento de seu bem-estar, deve praticar da seguinte forma:

A fim de atingir o estado de quietude mental (o estado de Nirvána),

Deve ser correto, extremamente correto em suas atitudes.

Ser obediente e de bom coração, livre de qualquer orgulho.


Satisfeito (com as coisas que tem) e de modo de vida simples (sem se tornar um peso para as pessoas que o cercam),

De poucas obrigações (para não se sobrecarregar) e com modo de vida extremamente correto (que seu modo de ganhar dinheiro não cause sofrimento a outros seres vivos).

Deve ter seus sentidos calmos, ser prudente,

Desobstruído e não apegado demais à família (por entender que as pessoas não são propriedade umas das outras e devem ser livres.)


Não deve se entregar (nem mesmo) à menor ação impura,

Como aquelas que um Sábio considere digna de censura.

Possam todos os seres estar felizes e protegidos,

Possam todos os seres ser, por natureza, felizes.


Quem quer que sejam os seres vivos,

Ainda vacilantes (com a prática do Buddhismo ainda em desenvolvimento) ou firmes (já desenvolvidos na prática), ou quaisquer outros,

Seres longos ou os que são enormes (como baleias, elefantes etc.),

Médios em tamanho, baixos em estatura, do tamanho de um átomo,

Ou gordos,


Os que podem ser vistos ou (aqueles que são) invisíveis (seres microscópicos ou que nos passam desapercebidos por serem muito pequenos),

Os que vivem próximos ou muito longe,

Os que já voltaram a existir entre nós (já renasceram neste mundo) ou que ainda são esperados (estão vivendo em outros planos existenciais, onde não os vemos),

Possam todos os seres ser, por natureza, felizes.


Que um não engane o outro,

Que um não menospreze o outro, em lugar algum,

Por causa da raiva e ódio,

Que ninguém deseje que o outro sofra.


Assim como a mãe, a seu próprio filho,

Seu único filho, protege com sua própria vida,

Do mesmo modo, por todos os seres vivos

Seja desenvolvido, de forma ilimitada, o Amor Universal.

Através do mundo todo, (se espalhe, emitido por nós) o Amor Universal,

Num pensamento ilimitado, deve ser desenvolvido.

Acima, abaixo e através, (mentalmente emitido em todas as direções do Universo)

Sem obstrução alguma, livre de inimizade, sem inimizade alguma.


(Quando estamos) De pé, andando ou sentados,

Ou quando nos deitamos, até o momento em que adormecemos,

Devemos manter em mente este pensamento (do Amor Universal).

Porque este é chamado de Brahmá ("brar-má", modo de vida de nobre pureza).


Sem se abrigar em pontos de vista falsos (ou incorretos), sendo virtuoso,

Sendo capaz de perceber (as coisas como elas realmente são, sem distorções),

Tendo disciplina contra (para praticar e combater) o apego aos prazeres sensuais,

(Quem pratica deste modo) Não mais renasce, em ventre algum. (se liberta do ciclo de renascimentos, atingindo a eternidade do Nirvána).

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