NÃO TEMOS DOGMAS

Atualizado: Set 12



Sukhí Hôtu!


O Buddhismo (Budismo) não lida com fé cega. Muito pelo contrário, não temos dogmas, não temos nada sobre o qual tenhamos que acreditar só porque o monge ou o Buddha (Buda) mandou. Na verdade, o Buddha sempre nos instruiu a ouvirmos atentamente o que ele nos ensinou, observarmos e constatarmos na vida diária se era realmente comprovável e certo e, só então, acreditarmos, com total direito de duvidarmos até mesmo das palavras dele. Nenhum outro mestre da História jamais deu aos seus ouvintes esse direito, já que todos tendem a ser os "donos da verdade" e não admitem que discordem deles.


Mas, muita gente questiona coisas que parecem, realmente, difíceis de acreditar e, nem sempre são comprováveis, porque estão acima de nossa capacidade de compreensão. Questões sobre existirem ou não vidas anteriores à presente ou se realmente continuamos renascendo após a morte ou ainda se existem as diversas formas de renascimento que o Buddhismo ensina, como os Reinos Celestiais e os Reinos dos Infernos ou ainda os Reinos dos Fantasmas Famintos... Tais coisas parecem ser tão fantásticas que é como se saíssem de um filme da saga do "Lord of the Rings" ou de alguma estória para crianças. Então, devemos ou não devemos acreditar nessas coisas?


Bem... Primeiramente, não acreditar em alguma coisa, não faz com que ela deixe de existir ou de ser verdade! Hoje em dia, tem gente dizendo que a Terra é plana e não acredita que seja redonda. Toda vez que algum astronauta chega ao espaço e olha o nosso planeta, vê que ele continua sendo redondo, apesar da descrença dos que acham que a Terra é plana. Da mesma forma, se crermos ou não na existência de sucessivos renascimentos, eles continuarão acontecendo.


Nesses casos, nos quais não podemos provar efetivamente se o que o Buddhismo ensina é realidade ou ficção, cabe seguirmos a instrução do próprio Buddha. Ele sempre foi claro ao afirmar que somente ensinava a verdade e somente sobre coisas importantes, que realmente nos ajudassem a alcançarmos a Iluminação. Ora, o Buddha nunca se preocupou em falar sobre a profundidade dos oceanos ou sobre o tamanho do Universo, nem se existe ou não vida em outros planetas. Isso, porque saber ou não sobre isso é mera curiosidade e não nos conduz ao fim da inquietação mental. Por outro lado, ele sempre mencionou o fato de todos nós já termos vivido infinitas existências e afirmou que continuaremos renascendo, vida após vida, até que consigamos nos iluminar. Também são muitas as Escrituras nas quais ele falou sobre os Reinos dos Céus, os dos Infernos e outras formas de renascimento. Se assim foi e, considerando que ele só disse a verdade, o tempo todo e só ensinou coisas relevantes, é de se concordar que essas coisas todas, acreditando ou não nelas, sejam verdadeiras.


Sobre isso, com a Sabedoria de sempre, nos falou o Venerável Ajahn Jayasaro ("djayassárôo"), grande mestre da Tradição da Floresta do Buddhismo Theravada, a quem eu tive a enorme alegria de conhecer pessoalmente. Confiram!


Ajahn Sunanthô


"Num dia de outono, enquanto caminhava por uma floresta com um grupo de seus discípulos, o Buddha se abaixou e pegou várias folhas. Se virou para os monges e disse que o número de coisas que um Buddha conhece é vasto, como o número de folhas no chão da floresta. No entanto, ele continuou, o número de coisas que ele ensina é muito menor, comparável ao número de folhas em suas mãos. Em outra ocasião, ele disse que o único critério para a seleção que ele fez foi que o Ensinamento deve elucidar a natureza da inquietação mental humana ou o Caminho para sua cessação.


Os discursos do Buddha representam folhas nas mãos dele. Podemos concluir que qualquer tópico encontrado nesses Suttas (Escrituras) foi escolhido por ele por seu valor prático. Isso inclui os Ensinamentos sobre o renascimento e as outras esferas do Samsara (o ciclo de constantes renascimentos). Embora devamos admitir que não podemos provar a existência dos Reinos dos Céus e dos Infernos (ambos são vários no Buddhismo), devemos ter em mente que o Buddha, com sua grande Sabedoria e compaixão, considerou importante que recebêssemos de confiança as informações que ele nos deu sobre eles, ou como hipóteses de trabalho. O renascimento não é um dogma a ser aceito cegamente. É um referencial teórico para compreender nossas vidas, que fornece as condições de suporte necessárias para um progresso consistente no Caminho."


- Ven. Ajahn Phra Thêp Jayasāro

Um dos maiores e mais respeitados monges da atualidade.


(Traduzido e explicado entre parênteses por Ajahn Sunanthô)

#Budismo #BudismoTheravada #EscrituraBudista #Ensinamento #TradiçãoTheravada #MongeBudista #FéCega #Sabedoria #GrandeMestre #VidaApósAMorte

7 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo