O CACHORRINHO FILHOTE • THE LITTLE PUPPY



Sukhí Hôtu!

English Version Below


A gente observa o filhote… Ainda não tem nem dois meses de vida. Nessa fase, choram por tudo e por nada! Se encontram um degrau no meio do caminho, não importa se o degrau tem apenas alguns centímetros de altura, ele chora, olha para baixo, como se o chão estivesse muito longe, lá embaixo! Tem medo de dar um passinho e descer o degrau… Acaba conseguindo e então começa o “grande problema” de subir o degrau para voltar para dentro de casa! E então, chora de novo e chora… Depois tenta subir e cai, tenta de novo e chora mais um pouco…


Se, a cada vez que ele chorar, a gente sair correndo para pegar ele no colo e levar degrau abaixo ou degrau acima, ele vai se acostumar a chorar mais e mais, porque sabe que sempre vai ser atendido. É preciso observar, deixando ele chorar um pouco, para que se esforce. A cada vez que suas patinhas frágeis tocarem o chão, descendo o degrau, ou fizerem força para cima, subindo ele, estará fortalecendo seus músculos, seus ossos e aprendendo por si mesmo coisas que lhe serão úteis pela vida toda.


Em breve, já grande, ele estará correndo por aí, subindo e descendo escadas sem nem se lembrar que um dia choramingava por não saber lidar com um simples degrauzinho! Isso é aprendizado, é ganho de experiência, é lição prática de vida. Mas, o que tem isso a ver com Buddhismo? Tudo! Tem tudo a ver! Aliás, tudo na vida tem a ver com Buddhismo, porque o chamado DHARMA, o Ensinamento do Buddhismo, nada mais é que tirar lições de cada coisa que temos à nossa volta, de tudo o que acontece na natureza. O Buddhadharma é observar a maneira como se desenvolvem os fenômenos da natureza, em todo o Universo e isso inclui o cachorrinho com seu obstáculo do degrau.


Para nós, também é muito difícil a prática. Constantemente nos fazemos de vítima, nos lamentamos e choramingamos, porque a vida é difícil e ninguém nos dá colinho quando “tanto precisamos”. Nesses momentos em que o degrau para subir ou descer parece tão alto, devemos focar nosssa atenção, deixar de lado as lamentações e nos esforçarmos. A primeira atitude da mente, é sempre de pedir socorro e se fazer de coitada. Assim como é para o cachorrinho, também para a mente é bem mais fácil achar que não consegue nada por si mesma e chora pedindo socorro. Mas, assim como o cachorrinho precisa aprender a ser forte e subir e descer o degrau, também a mente tem, por si mesma, que se tornar forte e consciente, capaz de enfrentar as dificuldades da vida.


Purificar a mente é difícil. Deixar de tirar a vida de outros seres, deixar de se apoderar do que não nos pertence, deixar de trair a confiança da pessoa com quem foi assumido um compromisso de vida a dois, deixar de falar palavras sujas ou ilusórias e parar de intoxicar a mente com bebidas e outras drogas… Tudo isso exige esforço, como para o cachorrinho é difícil dominar a “arte de subir um degrau”.

O praticante do Buddhismo tem que entender a necessidade de fazer todo um esforço de purificação mental. Nem sempre será fácil, aliás, muitas vezes será bem difícil, mas isso é parte do processo. Não podemos esperar que um cachorrinho tão pequeno suba e desça escadarias, ele nem teria força física para isso! Também não podemos esperar que alguém se ilumine com pouco tempo de prática buddhista. O próprio Buddha levou vários renascimentos e seis longos anos para concluir sua prática e alcançar o Estado Mental do Nirvana. Mas é preciso continuar tentando, como o cachorrinho chorão, que sobe e desce o degrauzinho e, por fim, se sente vitorioso quando vê que já não é difícil. Também a nossa prática vai ficando cada vez mais fácil, à medida que nos empenhamos com concentração e certeza de que o resultado vale a pena.


É nos espelhando nas pequenas coisas da vida e tirando delas uma boa lição, que praticamos corretamente o Buddhismo. Todo o resto, é alegoria, práticas ritualísticas e regras que servem para nos fortalecer e nos manter praticando. O esforço, sempre será individual e intransferível – cachorrinho carregado no colo, não aprende a enfrentar degraus!


Fiquem todos em Paz e protegidos!






We watch the puppy... It is not even two months old. At this stage, they cry for everything and nothing! If the puppy finds a step in the middle of the path, it doesn't matter if the step is only a few centimeters high, it cries, looks down, as if the ground is too far down there! It is afraid to take a step and go all the way down… It ends up doing it and then the “big problem” of going up the step begins to go back into the house! And then again, it cries and cries ... Then it tries to go up and fall, tries again and cries some more...


If, every time it cries, we run out to pick him up and take him down or up, it will get used to crying more and more, because it knows it will always be attended to. It is necessary to observe, letting him cry a little, to make an effort. Every time its fragile paws touch the ground, going down the step, or push upwards, going up, it will be strengthening its muscles, its bones and learning for itself things that will be useful for its whole life.


Soon, already big, it will be running around, going up and down stairs without even remembering that one day it whined for not knowing how to deal with a simple step! This is learning, gaining experience, it is a practical lesson in life. But, what does this have to do with Buddhism? Everything! It's all about! In fact, everything in life has to do with Buddhism, because the so-called DHARMA, the Teaching of Buddhism, is nothing more than to learn lessons from everything around us, from everything that happens in nature. Buddhadharma is observing the way in which the phenomena of nature develop throughout the Universe and that includes the puppy with its step obstacle.


It is also very difficult for us to practice. We constantly make ourselves a victim, we mourn and whine, because life is difficult and no one gives us an uplifting help when “we need it so much”. In those moments when the step to go up or down seems so high, we must focus our attention, let go of fears and make an effort. The first attitude of the mind is always to ask for help and to act miserable. Just as it is for the puppy, it is also much easier for the mind to think that it cannot achieve anything on its own and cries for help. But, just as the puppy needs to learn to be strong and go up and down the step, so the mind must, by itself, become strong and conscious, capable of facing life's difficulties.


Purifying the mind is difficult. Refraining to take the lives of other beings, avoiding to take possession of what does not belong to us, refraining to betray the trust of the person with whom a life commitment has been made to two, refraining to speak dirty or illusory words and stop intoxicating the mind with drinks and other drugs ... All this requires effort, as it is difficult for the puppy to master the “art of climbing a step”.


The practitioner of Buddhism must understand the need to make an effort of mental purification. It will not always be easy, in fact, it will often be very difficult, but that is part of the process. We can't expect such a small puppy to go up and down stairs, it wouldn't even have the physical strength to do it! Nor can we expect someone to be enlightened within little time in Buddhist practice. The Buddha himself took several rebirths and six long years to complete his practice and attain the Mental State of Nirvana. But it is necessary to keep trying, like the crying puppy, who goes up and down the step and, finally, feels victorious when it realizes that it is no longer difficult. Our practice also gets easier and easier, as we strive with concentration and certainty that the result is worthwhile.


It is by mirroring us in the small things in life and taking a good lesson from them, that we practice Buddhism correctly. Everything else is allegory, ritualistic practices and rules that serve to strengthen us and keep us practicing. The effort will always be individual and non-transferable - puppy carried on someone´s arms, does not learn to climb steps!


May everyone be at peace and protected!


Ajahn Sunanthô Therô

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