O DEDO DO BUDDHA • THE FINGER OF THE BUDDHA



Sukhí Hôtu!

(English Version Below)


A imagem mostra uma relíquia... É, ou afirmam que é, um DEDO DO BUDDHA! Essa é apenas uma das várias relíquias, tais como dente, fio de cabelo, dedo etc. que a Tradição Buddhista (Budista) afirma que são realmente partes do corpo do Buddha (Buda) e esses pedaços ficam guardados em locais, chamados de sagrados, para que peregrinos e gente de todas as crenças, visitem essas relíquias, reverenciando, tirando fotos, se emocionando e revigorando a fé...


Agora vejamos... Não há prova alguma que esse osso na imagem seja de um dedo. Menos prova ainda, há de que, sendo um dedo, tenha sido do Buddha. É pouco provável que seja de plástico, já que está protegido há centenas de anos, mas, mesmo na antiguidade, marfim, cerâmica e outros materiais já podiam ser usados para criar objetos... Mesmo assim, vamos dar um crédito à veracidade dessa relíquia. Vamos supor que realmente seja um dedo do Buddha! E aí? Estamos diante do DEDO... não um dedo qualquer... O DEDO DO BUDDHA! Então, eu pergunto novamente: E aí?


Milhares de pessoas estiveram diante do próprio BUDDHA... Não do dedo inerte dele, mas diante DELE MESMO, vivo, se movendo, falando, ensinando! Ainda assim, muitas dessas pessoas, mesmo após ouvirem o próprio Buddha falando, não conseguiram assimilar sua mensagem, não se tornaram seguidores, muito menos se iluminaram. Se assim foi, de que adianta um dedo morto, um simples pedaço de osso do corpo - talvez - do Buddha? Será que um osso é capaz de iluminar alguém?


É parte do DNA humano essa necessidade de ter fé! As pessoas têm que ver algo material, com o qual se identificar e, a partir daí, se sentirem seguras nesse relacionamento com algo que lhes dê a (falsa) certeza de estarem protegidas, acolhidas, seguras, salvas. Ao longo da História, sempre houve amuletos, símbolos protetores, fórmulas mágicas, mantras... Na Idade Média, a Igreja Católica já vendia relíquias e bênçãos. Também eram vendidos os escapulários, com supostas relíquias, até mesmo pedaços de pano que diziam ser das roupas desse ou daquele santo e as pessoas se sentiam seguras carregando tais peças.


A nível de religiões, onde há um deus invisível que faz crescer nas pessoas a necessidade de se apegarem a algo material que as conecte com ele, a fé é um elemento importante. Se ninguém vê deus, é preciso que se desenvolva a mentalidade de se apegar a objetos que reportem os seguidores a esse ser sobrenatural.


No Buddhismo, porém, o elemento fé, ainda que continue presente, já que, como eu disse, faz parte do DNA humano, é totalmente dispensável. No Buddhismo, a fé conduz muito mais ao aprofundamento na ignorância do que à clareza de visão, tão necessária para o entendimento correto do que o Buddha nos ensinou.


Durante os 45 anos que, incansavelmente, se dedicou a transmitir sua Sabedoria em forma de Ensinamentos (Dharma), o Buddha sempre enfatizou que não deveríamos acreditar cegamente em suas palavras e só as tomássemos como verdadeiras depois de analisarmos, colocarmos em prática o que ouvimos e termos certeza absoluta de que o que ele ensinou realmente corresponde à verdade dos fatos. Alguém que nos orientou a agirmos assim, seria, a meu ver, totalmente contrário à veneração de relíquias. O simples fato de que, sem prova alguma, acreditemos que isso aí, na foto, é um osso e, se for, é um osso do dedo do Buddha, já é contrário ao que o próprio suposto "dono do osso" nos alertou tantas vezes sobre como NÃO agir.


Osso não salva, cabelo não salva, dente não salva... são matérias orgânicas preservadas artificialmente, ou já estariam decompostas e danificadas pelo tempo. Venerar tais coisas, permitir-se sentir emoções ao ver tais coisas, se alegrar e comover diante desses objetos, inertes e sem vida, é cultivar sentimentos contrários ao que o Buddhismo nos propõe.


O entendimento correto da mensagem do Buddha, do Dharma, é para que usemos cada minuto de nossa existência, vendo com clareza e sem distorções as coisas da vida como realmente são. Cultivando a Sabedoria, vamos eliminando a ignorância e fé cega É ignorância.


Toda vez que nos apegamos a algo externo como fonte de nossa segurança, como protetor ou salvador, estamos indo no sentido contrário ao que o Buddha nos ensinou, porque ele sempre deixou claro que nada ou ninguém pode nos salvar além de nosso entendimento correto sobre as coisas do mundo.

Por mais de uma vez, no tempo em que morei na Ásia, estive diante de relíquias... Frente a frente, com pouco mais de um metro me separando desses objetos "tão sagrados". Posso afirmar a vocês, sem qualquer dúvida, de que isso em NADA me comoveu, não me transmitiu qualquer sentimento de emoção ou devoção. Isso não me torna melhor que as pessoas que choram e se emocionam diante das tais relíquias, mas me levou a observar, no comportamento delas, o quanto dependem de elementos aos quais se apegarem para se sentirem fortes para levar adiante a existência. A vida delas seria bem mais fácil se não precisassem de nada disso.


Fiquem todos em Paz e protegidos!






Sukhí Hôtu!


The image shows a relic... It is, or is claimed to be, a FINGER OF THE BUDDHA! This is just one of several relics, such as teeth, hair, fingers etc. that the Buddhist Tradition affirms that they are really parts of the Buddha's body and those pieces are kept in places, called sacred, so that pilgrims and people of all beliefs, visit those relics, revering, taking photos, gettin emotional and invigorating their faith ...

Now let's see ... There is no proof that this bone in the image is from a finger. Even less proof is that, being a finger, it was the Buddha´s. It is unlikely that it is made of plastic, since it has been protected for hundreds of years, but even in antiquity, ivory, ceramics and other materials could already be used to create fake objects... Even so, let´s give credit to the truth of this relic . Let's suppose it really is a finger of the Buddha! So what? We are facing the FINGER ... not just any finger ... THE BUDDHA´S FINGER! So, let me ask again: So what?


Thousands of people were in front of BUDDHA itself ... Not his inert finger, but before HIMSELF, alive, moving, speaking, teaching! Even so, many of those people, even after hearing the Buddha himself speaking, failed to assimilate his message, did not become his followers, much less enlightened. If so, what is good about a dead finger, a simple piece of bone from the body - perhaps - of the Buddha? Could it be that a bone is capable of enlightening someone?


This need to have faith is part of human DNA! People have to see something material, with which to identify and, from that point on, feel safe in that relationship with something that brings them the (false) certainty of being protected, nurtured, safe, saved. Throughout history, there have always been amulets, protective symbols, magic formulas, mantras ... In the Middle Ages, the Catholic Church ever sold relics and blessings. Scapulars were also sold, with supposed relics, even pieces of cloth that allegedly belonged to the clothes of this or that saint, and people felt safe carrying along such pieces.


At the level of religions, where there is an invisible god that makes people grow in the need to cling to something material that connects them with him, faith is an important element. If no one sees god, it is necessary to develop the mentality of clinging to objects that report followers to that supernatural being.

In Buddhism, however, the element of faith, although still present, since, as I said, it is part of human DNA, is totally expendable. In Buddhism, faith leads much more to the deepening of ignorance than to the clarity of vision, so necessary for the correct understanding of what the Buddha taught us.


Along the 45 years that he tirelessly dedicated himself to transmitting his Wisdom through Teachings (Dharma), the Buddha always emphasized that we should not blindly believe his words and only take them for granted after analyzing, putting into practice what we hear and be absolutely sure that what he taught really corresponds to the truth of the facts. Someone who directed us to do so would, in my view, be totally opposed to the veneration of relics. The simple fact that, without any proof, we believe that this, in the photo, is a bone and, if it really is, a bone of the Buddha's finger, it is already contrary to what the supposed "owner of the bone" warned us so many times about how NOT to behave.


A bone doesn't save, hair doesn't save, a tooth doesn't save ... they are organic materials preserved artificially, otherwise they would be already decomposed and damaged by time. Worship such things, to allow oneself to feel emotions when staring at such things, to rejoice and be moved by these objects, inert and lifeless, is to cultivate feelings contrary to what Buddhism proposes us to practice.


The correct understanding of the Buddha's message, of the Dharma, is for us to use every minute of our existence, seeing clearly and without distortion the things of life as they really are. By cultivating Wisdom, we eliminate ignorance and blind faith IS ignorance.


Every time we cling to something external as a source of our security, as a protector or saviour, we are going in the opposite direction from what the Buddha taught us, because he always made it clear that nothing or anyone can save us beyond our correct understanding of things in the world.


More than once, in the time I lived in Asia, I was right in front of relics ... Very close, with little more than a meter separating me from these "so sacred" objects. I can tell you, without any doubt, that by NO MEANS touched me, did not convey any feeling of emotion or devotion inside of me. That does not make me any better than the people who cry and get emotional in the face of such relics, but it led me to observe, in their behaviour, how much they depend on elements to which they cling in order to feel strong to carry on with their existence. Their lives would be much easier if they didn't need any of that.


May everyone be at Peace and protected!


Ajahn Sunanthô Therô

10 visualizações0 comentário

Contatos:

(54) 3244-6027

dragaododharma@gmail.com

Endereço: 

Loteamento Alpes de São Francisco, Rua 3 - 401

São Franciso de Paula, RS - CEP: 95400-000

© 2020 

Criado por Gustavo Pavanello e Thairiny Silva

  • Templo Dragão do Dharma - Facebook
  • Budismo Brasil - YouTube
  • Twitter