O JEITO QUE O MUNDO É

Atualizado: 28 de Ago de 2018



Dàjiā hǎo!

Recentemente, uma seguidora do Buddhismo comentou comigo sobre o quanto fica descontente diante da violência crescente em nossa sociedade. É fato que vemos, "ao vivo e a cores" coisas tão terríveis que fica difícil crer que são praticadas por seres humanos. Na verdade, no momento em que as estão praticando, NÃO são humanos, temporariamente estão fora da esfera do Renascimento Humano, mas isso é assunto para outra conversa...


O que ocorre no mundo, por mais que nos choque, apavore, revolte, é apenas o modo como o mundo vem sendo e é há milhares de anos e não adianta pensar que só porque vivemos nele nossa vida atual ele está pior que em nossas existências passadas. Vejamos alguns exemplos:


No tempo do Buddha as estradas eram perigosas. Mulheres que andassem sozinhas eram estupradas, muitas vezes por vários bandidos e, quando não mortas, eram simplesmente jogadas à beira da estrada, sem que houvesse qualquer tipo de punição para isto. Ataques semelhantes eram comuns contra homens e nem mesmo monges estavam seguros - muitos eram espancados por rivalidades entre seitas e preconceito religioso.


Um dos 227 Preceitos de Disciplina Monástica, estabelecidos pelo Buddha, diz que nós monges não podemos ensinar o Dharma "a alguém usando um turbante". Isto porque, muitas vezes, debaixo daquele inocente pano enrolado na cabeça, eram escondidas facas bem afiadas e, caso a pessoa discordasse do Ensinamento, poderia até mesmo esfaquear o monge desavisado.


Para não falarmos apenas do ambiente onde o Buddha viveu, devemos nos lembrar que os famosos Ninjas eram matadores profissionais, altamente treinados, que, mercenários, matavam quem quer que o contratante determinasse e pagasse bem! Também os Samurais, com seu código de honra e disciplina rígidos, eram matadores a serviço do imperador do Japão e, por ele, davam a própria vida sem o menor questionamento!


Os espetáculos do Coliseu, na Roma antiga, onde a platéia se deliciava em ver gladiadores lutando até a morte e também seres humanos, totalmente indefesos sendo atacados e devorados por feras... Isto não fica nada a desejar, perto do que vemos atualmente na televisão e, não podemos nos esquecer que, já naquela época, também eles se consideravam desenvolvidos e altamente civilizados.


Também eram "civilizados" todos os colonizadores que, ao longo da História da Humanidade, invadiram outros países. Os ingleses, quando chegaram à África do Sul, costumavam brincar de tiro ao alvo nos nativos da tribo Bushmen. Era uma forma "comum" de relaxamento entre as tropas britânicas... Perfeitamente aceitável para os padrões da época.


Os espanhóis com os Astecas, Incas e Maias - genocídio explícito e generalizado. Também cabe destacar que os próprios nativos desses povos faziam sacrifícios humanos a seus deuses e tinham uma espécie de futebol no qual o time perdedor pagava com as vidas dos jogadores.


Os portugueses, inclusive Jesuítas, com os nossos índios aqui no Brasil e, numa história menos antiga, os muitos anos de escravidão, onde era normal que as famílias, incluindo mulheres e crianças, tratassem os negros como se fossem menos que animais irracionais!


Violência, barbárie, preconceito, irracionalismo, intolerância, agressividade, ódio, assassinato... Nada dessas coisas terríveis é novidade no mundo, desde que ele existe e, se antes eram vistas em arenas e locais de diversão pública, atualmente as temos pela internet ou em telões de alta definição, no conforto de nossas casas, para distração das crianças, enquanto almoçam ou jantam...


Portanto, não me parece que o mundo esteja nem um milímetro melhor ou pior, apenas varia de época, armas, motivos para odiar (às vezes nem isso!) e modo como se mostra diante de nós. Isto tudo, porque, como o Buddha nos alertou, há quase 3.000 anos, o mundo não é para ficarmos nele nem gostarmos dele. Estamos aqui para, com dedicação, comprometimento, perseverança e determinação, praticarmos o cultivo mental, do modo que o Buddha nos deixou como herança e, finalmente, deixarmos de lado as coisas do mundo, rumo à Iluminação.


Mas, enquanto nos encantarmos tanto, nos deliciarmos tanto, nos apegarmos tanto às coisas do mundo, como se fossem fascinantes e permanentes, seremos passageiros permanentes, vida apos vida, desta canoa furada, deste ciclo infindável de renascimentos, que nos puxa de volta para todas essas coisas das quais tanto reclamamos.


As coisas do mundo são e sempre serão exatamente assim... Não é nossa função mudar o mundo, apenas amenizar, dentro de nossas limitações, o sofrimento que aflige a nós e aos que nos cercam. Enquanto nos afligirmos, tentando mudar o mundo, ou nos envolvendo emocionalmente com suas ilusões e crueldade, estaremos perdendo tempo precioso de nosso próprio cultivo mental. Por outro lado, quanto mais nos dedicarmos ao aprendizado do valioso Dharma que o Buddha descobriu, menos sofreremos e mais abreviaremos nosso envolvimento com um mundo que nada tem de realmente bom a nos oferecer.


Fiquem todos em Paz e protegidos!


Wù Hai Shifu

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