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(54) 3244-6027

wuhaishifu@gmail.com

Templo Budista

Loteamento Alpes de São Francisco, Rua 3 - 401

São Franciso de Paula, RS - CEP: 95400-000

Agende sua visita nos telefones indicados.

 

Se estiver de passagem pelo local e REALMENTE tiver tempo para sentar e ouvir Ensinamentos sobre Budismo diretamente do Shifu (monge), todos são muito bem-vindos para tocar o sino do portão.

 

Reuniões aos Sábados ou Domingos, a partir das 15h.

Cadastre-se para participar por vídeo, caso não possa comparecer .

O MAIS DIFÍCIL DOS CINCO PRECEITOS

Atualizado: 28 de Ago de 2018



Dàjiā hǎo!

Para quem, eventualmente, ainda não saiba, uma pessoa que decida seguir o Buddhismo sem ter que se tornar monge ou monja deve assumir o compromisso (para consigo próprio, não para com o Buddha) de seguir os chamados de 五戒 ( Wǔjiè em Mandarim ou PAÑTCHA SÍLA em Pali), os Cinco Preceitos que, quando dados ao leigo por um monge, em cerimônia especial, tornam a pessoa "oficialmente" buddhista. Eles são:

1 - PÁANÁATIPÁATÁA WÊRÊMANÍ SIKHÁAPADAM SAMÁADHYIÁAMI.

Por entender que todo ser vivo tem IGUAL direito de tentar ser feliz neste mundo, EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO TIRAR, INTENSIONALMENTE, A VIDA DE NENHUM SER VIVO.


2 - ADINÁADÁANÁA WÊRÊMANÍ SIKHÁAPADAM SAMÁADHYIÁAMI.


Por entender que, ao pegar algo que não me pertença, causo sofrimento a uma ou mais pessoas, EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO PEGAR PARA MIM ALGO QUE NÃO ME TENHA SIDO DADO PELO LEGÍTIMO DONO.


3 - KAMÊSSUMITCHÁATCHÁARÁA WÊRÊMANÍ SIKHÁAPADAM SAMÁADHYIÁAMI.


Por entender que, a dor da traição causa sofrimento não só ao parceiro sexual mas a todos que amam e convivem com essa pessoa, EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO TER NENHUMA RELAÇÃO SEXUAL EXTRA-CONJUGAL SEM O CONSENTIMENTO FORMAL DA PESSOA COM QUEM ASSUMI O COMPROMISSO DE UMA VIDA A DOIS.


4-MUSSÁAVÁADÁA WÊRÊMANÍ SIKHÁAPADAM SAMÁADHYIÁAMI.


Por entender que as palavras são capazes de criar ilusões, ferir, machucar, decepcionar, ridicularizar, vulgarizar, gerar falsas expectativas e tantas outras coisas que causam sofrimento a mim mesmo e a tantas outras pessoas, EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO FAZER MAU USO DAS PALAVRAS. Isto inclui o uso de palavras sujas (palavrões e gírias vulgares), linguagem ilusiva, linguagem grosseira, agressiva, irônica, de duplo sentido e também linguagem escrita e palavras pensadas, pois é do pensamento que surgem as palavras.


5 - SURÁAMERAYE MEDJEPAMÁA DAT´HÁANÁA WÊRÊMANÍ SIKHÁAPADAM SAMÁADHYIÁAMI.

Por entender que as substâncias intoxicantes - álcool, drogas e outras substâncias nocivas - alteram minha mente e o ÚNICO MODO seguro de evitar tal alteração é NÃO INGERÍ-LAS, EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO FAZER USO DE NENHUMA SUBSTÂNCIA, SEM EXCEÇÃO, QUE POSSA ALTERAR O ESTADO PURO E NATURAL DE MINHA MENTE.

Comprovadamente, estes Preceitos, também chamados de As Cinco Moralidades, são o estágio inicial de um longo e minucioso processo de purificação mental. É por isto que o termo SIKHÁAPADA, em Páli, presente em todos os Preceitos, significa TREINAMENTO MENTAL, um compromisso pessoal em se treinar para passa a ser capaz. É bastante triste quando ouço de alguém: “Eu queria ser buddhista, mas não vou vem tentar, porque já sei que não vou mesmo conseguir respeitar os Preceitos...” Quando alguém assume que não vai conseguir algo sem nem ter disposição para tentar, é como assinar um “Contrato de Fracassado” onde o contratante e o contratado são a própria pessoa! Ou seja, um “documento” que jamais será cancelado, porque ambas as partes estão de perfeito acordo...


As coisas que dizemos tem um poder muito maior do que imaginamos. Nada sai de nossas bocas simplesmente por sair. Nossas palavras são o resultado de um pensamento e o pensamento é o produto final daquilo que julgamos que somos. Nossas experiências, ansiedades, apegos a conceitos, frustrações, medos, vitórias, conquistas e bons resultados. Enfim, todo esse universo que cada um carrega dentro de si. Portanto, quando damos um conselho, é baseado em nossa experiência sobre alguma situação. Quando somos preconceituosos, é com base em nossos conceitos sobre moral, ética, sociedade etc. Quando agredimos verbalmente alguém, é porque nos sentimos ameaçada a posição confortável do que pensamos ser um Ego. Quando ridicularizamos alguém em público, é porque percebemos um ponto fraco da outra pessoa e, num tolo exercício de suposta superioridade, chamamos a atenção das pessoas para nós mesmos, mostrando a todos o ponto fraco alheio. São tantos os usos incorretos das palavras que seria possível escrever um livro só sobre o Quarto Preceito.


Ele é vasto, abrange diversas situações – um convite do Buddha a falarmos cada vez menos, afinal, ele definiu o silêncio como sendo NOBRE, no mais puro significado da palavra: altivo, superior. Isto porque, se analisarmos com cuidado, a maioria das coisas que as pessoas dizem, não precisariam ser ditas! Com a tola desculpa de serem agradáveis ou socialmente corretas, a maioria das pessoas dispara uma verdadeira metralhadora verbal e, invariavelmente, falam o que não devem! Muito mais proveitoso seria se ficassem caladas e observassem o mundo e, principalmente, os próprios pensamentos.


Não vou aqui ser protecionista em relação aos asiáticos mas, após tanto tempo na Ásia, só quando voltei ao Brasil notei o quanto nosso povo fala!! Basta pegar um onibus em um percurso relativamente longo (e 25km não é exatamente curto!) para perceber isso... Muita gente fala, fala, fala durante todo o trajeto e, com a incrível “capacidade” de não dizer absolutamente nada útil! O asiático é muito mais silencioso e isto é um ponto positivo para eles. Se não tiver nada a dizer, apenas permaneça calado. Não temos que falar o tempo todo só para sermos “agradáveis”. Aliás, grande parte dessa necessidade compulsiva de falar coisas agradáveis acaba criando situações falsas.


O que leva alguém a dizer: “Eu vou passar lá no seu templo pra aprender Buddhismo!” se a pessoa mesma sabe que não vai, sabe que não quer aprender nada e SABE QUE EU SEI que não vai?? Não seria melhor ficar calada?


“Nesta semana mesmo vou ligar para um amigo que vai ajudar muito a você!” ou “Conheço uma pessoa que está precisando muito de um secretário, com certeza vai dar um emprego pra você!” São inúmeros os exemplos da fala desnecessária. Criam falsas expectativas, iludem, fazem o ouvinte crer em coisas que não vão acontecer...


Tenho vivenciado e observado a situação de alvo da fala incorreta. Era bastante previsível ser objeto de comentários, piadinhas, gracinhas na rua pelo simples aspecto físico de ser careca usando um manto. Se eu não estivesse preparado para isso, não teria decidido voltar para o Brasil. Agora, vejamos uma coisa: Qual a necessidade de uma pessoa se aproximar de mim, me abordar na rua e dizer: “Você é monge? Que bom! Eu sou Kardecista!” (?????) ou ainda: “Moço! Moço! Hare Krishna!” (erro duplo, pois, há muito tempo já não sou “moço” e não sou devoto do deus Krishna! ).


Um tanto pior é a quantidade de promessas falsas e totalmente desnecessárias que venho ouvindo desde que cheguei... Promessas de ajuda, de doações, de emprego para meu filho, enfim... Palavras jogadas ao vento, sem a menor intenção de serem levadas a sério. Isto tudo me levou a refletir sobre a dificuldade que as pessoas têm em seguir o Quarto Preceito...


Acho que não é tão difícil não matar intencionalmente outros seres vivos. Também (se não for algo de valor muito grande..) talvez haja um senso ético em não se apoderar do que não lhe pertence... Quanto ao Terceiro Preceito, embora algumas pessoas acreditem que o homem é, por natureza, infiel, quero crer que ainda haja pessoas que consigam viver um relacionamento baseado na fidelidade...


Não é todo mundo que usa substâncias intoxicantes, até porque, grande parte dos Cristãos Evangélicos evita totalmente o consumo. Com isto, sobra o “coitado” do Quarto Preceito, que parece impossível de ser seguido. Gostaria muito que houvesse um esforço maior neste sentido – procurando o silêncio como aliado num processo de purificação mental, autoconhecimento, introspecção...


A “verborragia”, a fala compulsiva, reflete uma carência afetiva muito grande, uma necessidade de ser ouvido, um alerta do tipo: “Hei!! Estou aqui! Me dê atenção!” Isto se reflete também nos ataques verbais, através de palavras sujas, e, acredito eu, na ansiedade em se mostrar útil, prestativo, agradável, colaborador – oferecendo coisas e se comprometendo a conseguir benefícios... Sem noção alguma do limite no uso das palavras, as pessoas só criam situações irreais, já que não têm intenção alguma de cumprir o que dizem.


Por tudo isso, ressalto aqui a dificuldade em seguir o Quarto Preceito e convido a todos para EM SILÊNCIO, refletirem sobre ele. Nobre Silêncio!! Nobre Silêncio!!


Fiquem todos em Paz e protegidos!

Wù Hai Shifu

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