SALLATHA SUTRA



SALLATHA SUTRA

O Ensinamento Sobre A Flecha


“Monges, uma pessoa comum sem instrução sente sensações prazerosas, sente sensações dolorosas, sente sensações nem dolorosas, nem prazerosas. Um bom praticante de meu Ensinamento, bem instruído também sente sensações prazerosas, sente sensações dolorosas, sente sensações nem dolorosas, nem prazerosas. Então, Monges, qual é a variação, qual é a distinção, qual é a diferença que distingue o bom praticante do meu Ensinamento bem instruído de uma pessoa comum sem instrução?”


“Venerável Senhor, os nossos Ensinamentos têm o Mestre Buddha como origem, como guia e como Refúgio. Seria bom se o Mestre Buddha pudesse explicar o significado dessas palavras. Ao ouvir do Mestre Buddha, os Monges o recordarão.”


“Então ouçam e prestem muita atenção àquilo que eu vou dizer.” – “Sim, venerável Senhor,” os Monges responderam. O Mestre Buddha disse o seguinte:


“Monges, quando a pessoa comum sem instrução é tocada por uma sensação dolorosa, ela fica triste, angustiada e lamenta, bate no peito, chora e fica perturbada. Dessa maneira, ela sente duas dores, no corpo e na mente. Como se ela fosse atingida por uma flecha e, logo em seguida, fosse atingida por outra flecha, de modo que ela sentiria a sensação de dor de duas flechas. Da mesma forma, a pessoa comum sem instrução é tocada por uma sensação dolorosa, ela fica triste, angustiada e lamenta, bate no peito, chora e fica perturbada. Dessa maneira ela sente duas dores, no corpo e na mente.


“Ao ser tocada por essa mesma sensação dolorosa, ela sente aversão pela sensação de dor. Sentindo aversão pela sensação dolorosa, a tendência subjacente à aversão é aquilo que está por detrás disso. Ao ser tocada pela sensação dolorosa, ela busca prazer nos prazeres sensuais. Por qual razão? Porque a pessoa comum sem instrução não sabe como escapar das sensações dolorosas, exceto através dos prazeres sensuais. (a pessoa busca fugir da dor procurando os prazeres do mundo: álcool, sexo, compras, festas etc.) Quando ela busca prazer nos prazeres sensuais, a tendência a leva ao desejo sensual é aquilo que está por detrás disso. Ela não compreende como na verdade é a origem e a cessação, a gratificação, o perigo e a escapatória dessas sensações. Quando ela não compreende essas coisas, a tendência é ser levada à ignorância em relação à sensação nem dolorosa, nem prazerosa é aquilo que está por detrás disso.


“Se ela sentir uma sensação prazerosa, ela sente isso com apego. Se ela sentir uma sensação dolorosa, ela sente isso com apego. Se ela sentir uma sensação nem dolorosa, nem prazerosa, ela sente isso com apego. Essa, Monges, é uma pessoa comum sem instrução que está apegada ao nascimento, envelhecimento, morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero; ela está apegada ao sofrimento, eu digo.


“Monges, quando um bom praticante do meu Ensinamento, bem instruído é tocado por uma sensação dolorosa, ele não fica triste, angustiado e lamenta, não bate no peito, chora e fica perturbado. Ele sente apenas uma sensação - no corpo, não na mente. Como se ele fosse atingido por uma flecha e, não fosse atingido por outra flecha, de modo que ele sentiria a sensação de dor de uma flecha só. Da mesma forma, um bom praticante do meu Ensinamento bem instruído é tocado por uma sensação dolorosa, ele não fica triste, angustiado e lamenta, não bate no peito, chora e fica perturbado. Ele sente apenas uma sensação - no corpo, não na mente.


“Ao ser tocado por essa mesma sensação dolorosa, ele não sente aversão pela sensação de dor, a tendência subjacente à aversão não está por detrás disso. Ao ser tocado pela sensação dolorosa, ele não busca prazer nos prazeres sensuais. Por qual razão? Porque o bom praticante do meu Ensinamento bem instruído sabe como escapar das sensações dolorosas de outro modo que através dos prazeres sensuais. Visto que ele não busca prazer nos prazeres sensuais, a tendência subjacente ao desejo sensual não está por detrás disso. Ele compreende como na verdade é a origem e a cessação, a gratificação, o perigo e a escapatória dessas sensações. Visto que ele compreende essas coisas, a tendência subjacente à ignorância em relação à sensação nem dolorosa, nem prazerosa não está por detrás disso.


“Se ele sentir uma sensação prazerosa, ele sente isso desapegado. Se ele sentir uma sensação dolorosa, ele sente isso desapegado. Se ele sentir uma sensação nem dolorosa, nem prazerosa, ele sente isso desapegado. Esse, Monges, é um bom praticante do meu Ensinamento bem instruído que está desapegado do nascimento, envelhecimento, morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero; ele está desapegado do sofrimento, eu digo.


“Essa, Monges, é a variação, a distinção, a diferença entre o bom praticante do meu Ensinamento bem instruído e a pessoa comum sem instrução.”


O Sábio, bem instruído, não sente a sensação [mental] prazerosa e dolorosa.


Essa é a grande diferença entre o Sábio e o mundano.


Para o Sábio que compreendeu o Dharma (o Ensinamento do Buddha), que com clareza vê este mundo e o próximo, coisas desejáveis não provocam a sua mente, para com as indesejáveis ele não sente aversão.


Para ele a atração e a repulsa não mais existem; ambas foram extintas, eliminadas.


Tendo experimentado o estado imaculado, livre de toda inquietação mental, aquele que transcendeu a existência compreende corretamente.


Samyutta Nikaya XXXVI.6

Fonte: Acesso ao Insight

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