SOBRE A VIDA APÓS A MORTE

Atualizado: Jul 23



Sukhí Hôtu!


O que acontece conosco quando morremos? Esta é uma pergunta que intriga, fascina e instiga a curiosidade de pessoas pelo mundo todo, desde que a Humanidade existe! Cada crença vai dizer alguma coisa, semelhante ou totalmente diferente, mas, como o Buddhismo (Budismo) orienta as pessoas sobre o pós-morte ou pós-vida, como preferirem?

O assunto é tão polêmico que, mesmo entre as diversas Tradições Buddhistas (Budistas) há opiniões diferentes e rituais que variam de acordo com o que cada uma acredita. A Tradição THERAVADA, que é a forma original de Buddhismo e, portanto, a mais próxima do Ensinamento que o Buddha (Buda) transmitiu, tem pontos de vista bem específicos sobre esta questão. Como sou um monge Theravada, posso falar superficialmente sobre as demais Tradições, mas sem me aprofundar nelas e devo focar somente na Tradição à qual pertenço e sou monge há 16 anos.

As Tradições Tibetanas afirmam que, após a morte, a mente da pessoa entra em um local escuro, chamado BARDO e lá permanece durante 48 dias. Durante esse período, as pessoas vivas que se importam e amavam a quem faleceu, se dedicam à prática de rituais específicos, fazendo preces e transferindo energia positiva para que, ao final do período no Bardo, a pessoa tenha esse “empurrãozinho” de boa energia para começar seu novo renascimento. Passados os 48 dias, a pessoa vê uma luz muito forte, que seria, segundo os tibetanos, o momento da concepção, a fecundação após o ato sexual.

Outras Tradições também têm versões parecidas com a Tibetana para explicar essa transição entre a vida presente e a seguinte. Na Tradição Theravada, porém, nada disso faz sentido! A vida é um fluxo contínuo e não há como interromper, nem por 48 dias, nem por um dia… No máximo, admite-se a POSSIBILIDADE que o intervalo seja de OITO HORAS, o tempo da mente entender que esta etapa da existência terminou e ela tem que seguir adiante, reiniciando novo ciclo de vida. É o período do corpo esfriar, começar seu processo de decomposição etc. A mente que resiste à ideia de que o corpo morreu, pode estar confusa e precisar de algumas horas para processar os fatos e aceitar a realidade. No caso da mente estar tranquila e consciente de que o corpo morreu, renascer é algo IMEDIATO, um processo de apenas alguns MINUTOS para o início da existência seguinte, sem qualquer intervalo mais longo. É importante saber que a existência que temos, as que tivemos antes e a que teremos após esta vida, todas são determinadas pela LEI DO KARMA. A bagagem kármica que trouxemos – com coisas boas e ruins – das existências anteriores, mais tudo o que produzimos durante esta vida – também, tanto de bom quanto de ruim – é o que vai determinar o que seremos após o fim deste ciclo de existência, o que seremos na próxima vida. Se seremos Humanos ou animais, se renasceremos em uma vida boa ou miserável, se teremos um corpo completo e sadio ou se seremos defeituosos e doentes, tudo é determinado POR NÓS MESMOS, já que somos os únicos responsáveis pela qualidade do Karma que produzimos. Não há a quem culpar ou agradecer.

Sempre me referindo somente à TRADIÇÃO THERAVADA, os praticantes podem e DEVEM transferir seus méritos, considerando que a pessoa ainda não se iluminou, não se libertou da cadeia de renascimentos, à qual chamamos de SAMSARA, o ciclo de tornar a renascer. Claro que, dependendo do que conhecemos da pessoa que morreu, podemos imaginar que tenha sido seu último renascimento e que ela se iluminou, nunca mais vai tornar a renascer. Porém, realisticamente falando, é pouco provável. Mais certo é imaginar que quem morreu terá a chance de outro renascimento Humano e vai continuar progredindo, no caminho rumo à Iluminação. Com base nisto, é sempre bom praticarmos, individualmente ou, melhor ainda, em conjunto com outras pessoas, os rituais de Transferência de Mérito, a mentalização do envio de nossa energia positiva, para que chegue à pessoa que morreu e a fortaleça em seu novo renascimento.

As Tradições Mahayana acreditam que os animais também podem receber esta energia positiva, mas o Buddhismo Theravada afirma que somente se a pessoa renasceu como ser Humano, pode se beneficiar do bom Karma transferido. Animais não são capazes de receber essa energia e só deixarão de renascer como animais, quando o mau Karma que os levou a esse renascimento se esgotar.

A Transferência de Mérito é, portanto, uma excelente prática de Atenção Plena, generosidade e compaixão pelas pessoas que nos deixaram nesta existência. É sempre bom lembrar que estamos todos interligados e, quando chegar a nossa hora de morrer, poderemos nos encontrar com pessoas às quais ajudamos quando se foram antes de nós e se beneficiaram com nossa Transferência de Mérito. Em última análise, então, Transferir Méritos pode ser um benefício para nós mesmos, já que podemos encontrar, na vida seguinte, pessoas que se tornaram melhores e vão ser amáveis conosco, graças ao nosso próprio mérito transferido a elas!

Fiquem todos em Paz e protegidos!


Ajahn Sunanthô Therô


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