SOBRE A VIDA APÓS A MORTE • ABOUT LIFE AFTER DEATH

Atualizado: 5 de Nov de 2020


SOBRE A VIDA APÓS A MORTE

Sukhí Hôtu!

English Version Below


O que acontece conosco quando morremos? Esta é uma pergunta que intriga, fascina e instiga a curiosidade de pessoas pelo mundo todo, desde que a Humanidade existe! Cada crença vai dizer alguma coisa, semelhante ou totalmente diferente, mas, como o Buddhismo (Budismo) orienta as pessoas sobre o pós-morte ou pós-vida, como preferirem?

O assunto é tão polêmico que, mesmo entre as diversas Tradições Buddhistas (Budistas) há opiniões diferentes e rituais que variam de acordo com o que cada uma acredita. A Tradição THERAVADA, que é a forma original de Buddhismo e, portanto, a mais próxima do Ensinamento que o Buddha (Buda) transmitiu, tem pontos de vista bem específicos sobre esta questão. Como sou um monge Theravada, posso falar superficialmente sobre as demais Tradições, mas sem me aprofundar nelas e devo focar somente na Tradição à qual pertenço e sou monge há 16 anos.

As Tradições Tibetanas afirmam que, após a morte, a mente da pessoa entra em um local escuro, chamado BARDO e lá permanece durante 48 dias. Durante esse período, as pessoas vivas que se importam e amavam a quem faleceu, se dedicam à prática de rituais específicos, fazendo preces e transferindo energia positiva para que, ao final do período no Bardo, a pessoa tenha esse “empurrãozinho” de boa energia para começar seu novo renascimento. Passados os 48 dias, a pessoa vê uma luz muito forte, que seria, segundo os tibetanos, o momento da concepção, a fecundação após o ato sexual.

Outras Tradições também têm versões parecidas com a Tibetana para explicar essa transição entre a vida presente e a seguinte. Na Tradição Theravada, porém, nada disso faz sentido! A vida é um fluxo contínuo e não há como interromper, nem por 48 dias, nem por um dia… No máximo, admite-se a POSSIBILIDADE que o intervalo seja de OITO HORAS, o tempo da mente entender que esta etapa da existência terminou e ela tem que seguir adiante, reiniciando novo ciclo de vida. É o período do corpo esfriar, começar seu processo de decomposição etc. A mente que resiste à ideia de que o corpo morreu, pode estar confusa e precisar de algumas horas para processar os fatos e aceitar a realidade. No caso da mente estar tranquila e consciente de que o corpo morreu, renascer é algo IMEDIATO, um processo de apenas alguns MINUTOS para o início da existência seguinte, sem qualquer intervalo mais longo. É importante saber que a existência que temos, as que tivemos antes e a que teremos após esta vida, todas são determinadas pela LEI DO KARMA. A bagagem kármica que trouxemos – com coisas boas e ruins – das existências anteriores, mais tudo o que produzimos durante esta vida – também, tanto de bom quanto de ruim – é o que vai determinar o que seremos após o fim deste ciclo de existência, o que seremos na próxima vida. Se seremos Humanos ou animais, se renasceremos em uma vida boa ou miserável, se teremos um corpo completo e sadio ou se seremos defeituosos e doentes, tudo é determinado POR NÓS MESMOS, já que somos os únicos responsáveis pela qualidade do Karma que produzimos. Não há a quem culpar ou agradecer.

Sempre me referindo somente à TRADIÇÃO THERAVADA, os praticantes podem e DEVEM transferir seus méritos, considerando que a pessoa ainda não se iluminou, não se libertou da cadeia de renascimentos, à qual chamamos de SAMSARA, o ciclo de tornar a renascer. Claro que, dependendo do que conhecemos da pessoa que morreu, podemos imaginar que tenha sido seu último renascimento e que ela se iluminou, nunca mais vai tornar a renascer. Porém, realisticamente falando, é pouco provável. Mais certo é imaginar que quem morreu terá a chance de outro renascimento Humano e vai continuar progredindo, no caminho rumo à Iluminação. Com base nisto, é sempre bom praticarmos, individualmente ou, melhor ainda, em conjunto com outras pessoas, os rituais de Transferência de Mérito, a mentalização do envio de nossa energia positiva, para que chegue à pessoa que morreu e a fortaleça em seu novo renascimento.

As Tradições Mahayana acreditam que os animais também podem receber esta energia positiva, mas o Buddhismo Theravada afirma que somente se a pessoa renasceu como ser Humano, pode se beneficiar do bom Karma transferido. Animais não são capazes de receber essa energia e só deixarão de renascer como animais, quando o mau Karma que os levou a esse renascimento se esgotar.

A Transferência de Mérito é, portanto, uma excelente prática de Atenção Plena, generosidade e compaixão pelas pessoas que nos deixaram nesta existência. É sempre bom lembrar que estamos todos interligados e, quando chegar a nossa hora de morrer, poderemos nos encontrar com pessoas às quais ajudamos quando se foram antes de nós e se beneficiaram com nossa Transferência de Mérito. Em última análise, então, Transferir Méritos pode ser um benefício para nós mesmos, já que podemos encontrar, na vida seguinte, pessoas que se tornaram melhores e vão ser amáveis conosco, graças ao nosso próprio mérito transferido a elas!

Fiquem todos em Paz e protegidos!





ABOUT LIFE AFTER DEATH


What happens to us when we die? This is a question that intrigues, fascinates and instigates the curiosity of people all over the world, since Humanity exists! Each belief will say something, similar or totally different, but how does Buddhism guide people about the afterlife matter?

The subject is so controversial that, even among the different Buddhist Traditions there are different opinions and rituals that vary according to what each one believes. The THERAVADA Tradition, which is the original form of Buddhism and therefore the closest to the Teaching that the Buddha transmitted, has very specific views on this issue. As I am a Theravada monk, I can speak superficially about the other Traditions, but without delving into them and I must focus only on the Tradition to which I belong and have been a monk for 16 years.

Tibetan Traditions state that after death, a person's mind enters a dark place, called BARDO, and remains there for 48 days. During this period, the living people who care and loved those who passed away, dedicate themselves to the practice of specific rituals, saying prayers and transferring positive energy so that, at the end of the period in the Bardo, the person has this “little push” of good energy to start his new rebirth. After 48 days, the person sees a very strong light, which would be, according to Tibetans, the moment of conception, the fertilization after the sexual intercourse.

Other Mahayana Traditions also have Tibetan-like versions to explain this transition between the present and the next life. In the Theravada Tradition, however, none of this makes sense! Life is a continuous flow and there is no way to interrupt it, neither for 48 days nor for a day… At most, the POSSIBILITY is accepted for the interval to be EIGHT HOURS, the time for the mind to understand that this stage of existence has ended and it has to move on, restarting a new life cycle. It is the period of the body to cool down, to start its decomposition process etc. The mind that resists the idea that the body has died may be confused and need a few hours to process facts and accept its reality.

In case the mind is calm and aware that the body has died, being reborn is IMMEDIATE, a process of just a few MINUTES to the beginning of the next existence, without any longer interval. It is important to know that the existence we have, the ones we had before and the ones we will have after this life, are all determined by the LAW OF KARMA. The karmic baggage that we brought - with good and bad things - from previous existences, plus everything we produced during this life - also, both good and bad - is what will determine what we will be after the end of this cycle of existence, what we will be in the next life. Whether we will be Humans or animals, Hungry Ghost or even Demons, whether we will be reborn in a good or miserable life, whether we will have a complete and healthy body or whether we will be defective and sick, everything is determined BY OURSELVES, since we are solely responsible for the quality of the Karma we produce. There is no one to blame or thank.

Always referring only to the THERAVADA TRADITION, practitioners can and MUST transfer their merits, considering that the person has not yet been enlightened, has not freed himself from the chain of rebirths, which we call SAMSARA, the cycle of being reborn. Of course, depending on what we know about the person who died, we can imagine that it was his last rebirth and that he was enlightened, he will never be reborn again. However, realistically speaking, it is unlikely. It is more certain to imagine that whoever died will have the chance of another Human rebirth and will continue to progress, cultivating Wisdom and purifying the mind, on the path towards Enlightenment. Based on this, it is always good to practice, individually or, better yet, together with other people, the Merit Transfering rituals, the mentalization of sending our positive energy, so that it reaches the person who died and strengthens his or her mind in its new Rebirth.

The Mahayana Traditions believe that animals can also receive this positive energy, but Theravada Buddhism states that only the rebirth as a Human being, can be benefited from the good karma we transfer. Animals are not able to receive this energy and will only cease to be reborn as animals, when the bad Karma that led them to this rebirth runs out.

The Transfer of Merit is, therefore, an excellent practice of Mindfulness, generosity and compassion for the people who left this existence. It is always good to remember that we are all interconnected and, when it is time for us to die, we will be able to meet with people we helped when they went before us and benefited from our Merit Transfer. Ultimately, then, Transferring Merits can be a benefit to ourselves, since in the next life we ​​can find people who have become better and will be kind to us, thanks to our own merit transferred to them!

May everyone be at Peace and protected!

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Ajahn Sunanthô Therô


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