ULLAMBANA - O FESTIVAL DOS MORTOS



Sukhí Hôtu!


AGOSTO é o mês onde, na Cultura Chinesa e nas Tradições Chinesa e Japonesa de Buddhismo (Budismo) é comemorado o Festival ULLAMBANA (ULLÁMBANA) ou Festival dos Mortos. De acordo com essa crença, sem qualquer fundamento verdadeiro, nessa data um ser imaginário que habita na porta dos Reinos dos Infernos, é capaz de abrir essas portas e tirar de lá as “almas” que estão prisioneiras… Vamos então, entender direitinho o que é ou não é verdade nessa tradição, levada tão a sério na Ásia!


Começamos pelo Venerável MOGALLANA, um discípulo veterano e iluminado, um dos principais dos que conviveram diretamente com o Buddha (Buda). De acordo com uma escritura dos Buddhismos Chinês e Japonês, esse monge iluminado, após perder sua mãe, teria ficado imaginando onde ela poderia ter renascido. Usando seus poderes sobrenaturais, começou a procurar nas diversas formas de existência, onde estaria sua mãe. Acabou localizando ela no Reino dos Fantasmas Famintos, uma forma de renascimento onde as pessoas que foram avarentas, mesquinhas e não sabiam compartilhar seus bens, renascem e sofrem de extrema fome, sede e privações de todo tipo!


Muito preocupado, o Ven. Mogallana teria ido procurar o Buddha, angustiado e querendo saber como seria possível ajudar sua mãe a sair daquela situação. Ainda segundo essa escritura, o Buddha teria dito ao discípulo que ele deveria organizar um grande ritual de oferendas dos leigos a todos os monges, com comidas deliciosas, muita fartura, que enchessem as tigelas dos monges com todo tipo de alimento. Isso deveria ser feito logo após o Retiro da Estação Chuvosa, que dura três meses. O Ven. Mogallana teria perguntado ao Buddha se isso seria apenas para beneficiar à sua mãe. O Buddha, segundo a escritura, ficou “muito contente” com a pergunta do monge e explicou que essa forma de ritual beneficiaria não só à mãe do Ven. Mogallana, mas a todos os parentes das pessoas que estivessem na mesma situação. Iria até mesmo mais além, beneficiando SETE gerações de antepassados que estivessem no Reino dos Fantasmas Famintos.


Assim, o Ven. Mogallana teria realizado o enorme ritual de oferendas e, a partir de então, formou-se a tradição de, no mês de agosto, o Ritual de Ullambana ser realizado entre as famílias de chineses, japoneses e outros asiáticos que seguem essas tradições buddhistas (budistas).


Agora, vamos analisar isso tudo? Primeiramente… É sabido que, tanto o Buddha quanto seus discípulos já iluminados (que também se tornaram buddhas!) tinham realmente poderes paranormais. Entretanto, sempre ficou claro nas Escrituras verdadeiras que todos evitavam usar esses poderes, justamente para não causar fascínio e veneração nas pessoas. Era algo que sempre ficava guardado, não havia demonstração pública de “milagres” nem magia ou “show de poderes”. Seria muito pouco provável que um veterano da Comunidade (Mahá Sangha) do Buddha tivesse CURIOSIDADE de saber onde sua mãe renasceu e, menos provável ainda que esse veterano iluminado se preocupasse em procurar pela mãe em sua existência pós-morte. Ainda que houvesse curiosidade, para um Iluminado, seria totalmente irrelevante a situação da mãe! Não seria possível que um Iluminado se preocupasse, se afligisse, se angustiasse, muito menos que fosse procurar o Buddha para saber o que fazer para ajudar à mãe (ou a quem quer que fosse).


A aceitação das coisas como elas são, é uma das principais características da mente de um Iluminado! Portanto, mesmo que, na hipótese absurda do Ven. Mogallana ter feito tudo isso, o Buddha JAMAIS sugeriria ritual algum! Ele, certamente, estranharia o comportamento do Ven. Mogallana, chamaria a atenção dele e daria uma boa explicação sobre a impermanência e a inevitabilidade de um mau renascimento, pela Lei do Karma.


Não existe modo algum de resgatar dos “Reinos Inferiores” a mente (não existe “alma”!) de quem renasceu lá! Somente quando todo o Mau Karma que causou o renascimento nos INFERNOS ou no REINO DOS FANTASMAS FAMINTOS se acabar, a mente conseguirá renascer no Reino dos Animais e continuar sua escalada até conseguir renascer como Ser Humano, o que pode levar MILHÕES de anos para acontecer!


Acreditar que oferecer comida para nós monges “resgata” a mente de um mau renascimento, nada mais é que a obsessão compulsiva dos asiáticos – principalmente os chineses – por comida!

O Buddha não ficaria “contente” com a pergunta do Ven. Mogallana, porque não é possível um BUDDHA ficar triste ou contente ou zangado diante de qualquer circunstância! Buddhas não têm mais dualidade, não têm mais nenhuma reação – seja boa ou ruim – diante das coisas que chegam a eles. Se tivessem, não seriam buddhas, porque ainda estariam presos à mente dualista.


Concluindo, toda essa estória de Ullambana é uma enorme fantasia sem sentido, que apenas distorce a realidade do Buddhismo, confunde as pessoas e mantém rituais que nunca poderiam estar de acordo com as Escrituras verdadeiras do Buddhismo. É importante esclarecer, para que as pessoas não se deixem fascinar e levar por essas crendices e foquem, cada vez mais, na realidade verdadeira do Buddhismo, que realmente conduz à Iluminação. Se quiserem praticar Bom Karma, fazendo oferendas a nós monges ou a quem quer que seja, com certeza isso é um muito correto e elogiável, mas que não seja com a intenção de “resgatar” parentes de lugares de onde não podem sair às custas de oferendas.


Fiquem todos em Paz e protegidos!


Ajahn Sunanthô Therô

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