VAMOS FALAR SOBRE AMOR



Não… o tema aqui não é METTÁ, tido como amor sublime, incondicional na ótica buddhista, mas sim de amor no relacionamento entre casais! Amor que vocês leigos conhecem ou podem conhecer! Aproveitem aqui, cabe lembrar, o fato de eu ser um monge ocidental, Copacabanense que, antes de optar pela vida monástica, praticou bastante a vida sentimental, então, não estão lendo algo de um monge asiático, que entrou num mosteiro aos seis anos de idade e nunca teve qualquer atividade sexual (pelo menos não explícita, claro!).


As pessoas, em geral, levam a vida voltadas desde cedo para as atividades sexuais! Cada vez mais cedo começam e, como há mais e mais liberdade para todo tipo de atividade sexual, passaram a achar que se casar após alguns meses de sexo e alguma conversa trivial é bastante normal, afinal, se não der certo, basta se separar e começar tudo de novo, até o segundo, terceiro, quarto… oitavo etc. “casamento”!


Seguem adiante, acumulando os filhos… os meus, os seus, os nossos e, a essa baraná generalizada, chamam de “vida em família”, como nem mesmos os animais mais primitivos fazem! É isso o que vemos atualmente e parece que algo ainda pior aguarda pelas futuras gerações. Talvez arranjem um jeito de nós homens também engravidarmos, para aumentar a coleção de crias desestruturadas, ou talvez as mulheres possam dar à luz até os oitenta ou noventa anos…


Especulações à parte, é necessário entender o que deve ser um relacionamento normal, à luz da Sabedoria, à Luz do Dharma! Entender o que é um casal, quais os deveres e direitos de quem vive com alguém, é fundamental antes do tiro de largada da maratona de troca de cônjuges. As pessoas acham que PAIXÃO, atração física, ser “bom de cama” isso é AMOR! Confundem atração sexual com algo que deve ser maduro, bem pensado, sentido e analisado com calma e planejamento. Como eu disse, “se não der certo, é só se separar!” - não pode ser assim!


Para início de análise, não há amor incondicional no nível de vida a dois, no nível LEIGO de uma relação! Todo amor é fruto de uma série de interesses em comum, portanto, se há interesse, já há condições, condições para que esses interesses se mantenham vivos e, se possível, renovados! O que estou dizendo, é que, quando saem para “caçar” seus parceiros, nas boates,bares, restaurantes e outras atividades sociais, as pessoas não procuram os mais feios! Sempre se deixam atrair pelas pessoas mais bonitas: as pernas, os traseiros, os músculos dos braços, cabelo, seios etc etc. O bonito, o sensual, o atraente, tudo é um jogo de charme e fascínio, uma exibição! Isso é NORMAL!! Não há nada de errado nisso e é, obviamente, muito de acordo com o Dharma! A Natureza toda age assim!! Basta olharmos os pavões ou qualquer outro animal em seus rituais para a conquista de parceiras ou parceiros!


Se é normal o jogo da conquista sexual, não é normal confundir isso com “para sempre”, com o verdadeiro objetivo da vida, que é – ou deveria ser – constituir algo estável, duradouro, talvez até envolvendo filhos nesse processo e é justamente aí que a coisa complica! Se, após a conquista sexual, após a vitória na batalha de olhares e movimentos sensuais e após o ato sexual em si, ainda houver interesse mútuo, a coisa tem que passar para algo mais elevado, menos carnal, que é o CONHECIMENTO MÚTUO.


Antigamente, as pessoas se casavam por imposição dos pais! Eles escolhiam quem ia se casar com a filha solteira! Primeiramente a mais velha, para não ficar “encalhada” e, assim, sucessivamente, até que a caçula fosse encaminhada para o marido ideal! Cabia aos pais escolher um bom marido, honesto, trabalhador, sem vícios e TALVEZ ATÉ carinhoso com a filha! Mas o amor mesmo, dependeria do casal para surgir ou não! Já que vocês leigos inverteram tudo, achando que têm que começar amando para depois ver se o resto existe, é preciso REVERTER essa ordem, tentando resgatar a normalidade das coisas! Tudo bem que façam sexo, já que parece mesmo uma causa perdida querer que as pessoas se conheçam bem e só depois vão para a cama juntas… Mas, pelo menos que CONVERSEM, se conheçam, pisem no freio e, entre uma relação sexual e outra procurem se conhecer melhor, no interior, nos pensamentos, nas ideias e TEMPERAMENTO!

Um relacionamento de verdade é baseado em diversos fatores! O que fazem, do que gostam, que tipo de amizades os dois têm, que tipo de estrutura familiar e que DEFEITOS cada um tem! Isso é muito importante, porque as pessoas, cada uma delas é, por si só, um UNIVERSO completo e, pior, vêm acompanhadas de um “pacote completo” que inclui família, amigos, chefe, colegas de trabalho, amigos… Todos eles são complicados, possessivos, carentes, chatos, ciumentos etc. Pensar que sexo – atração física é AMOR e que a pessoa vem sozinha, exclusivamente para viver com você para sempre é, me desculpem – IDIOTICE!


Se as duas partes interessadas não virem bem cada fator que compõe um e outro, não analisarem e não fizerem uma listinha do que têm em comum e do que os diferencia a ponto de ser um obstáculo na relação, é quase 100% certo de que o relacionamento vai por água abaixo! Se sua mulher ou seu marido trabalha 14 horas no escritório e ainda vira a noite trabalhando, é muito pouco provável que você vá receber dele a atenção que idealizou! Também não sobrará muito tempo para o sexo! Mas, se você só descobriu isso depois de jurar diante de todos que ia ser para sempre, lamento, mas o erro foi SEU! Se tivesse tido menos pressa em fazer juramentos, não teria estragado sua vida!


Vida a dois é problemas a dois, não só alegrias ou sexo! Ninguém sai para jantar em restaurante caro todas as noites, nem recebe flores todo dia, ou vai para Paris todo fim de semana! A realidade do dia a dia MATA qualquer relacionamento que não tenha seus INTERESSES EM COMUM RENOVADOS, ampliados, revisados e questionados! Essa incondicionalidade do amor, que os casais pensam acreditar, NÃO EXISTE!

“Viver com a pessoa amada até debaixo da ponte” é uma tolice, até porque, no Brasil as pontes já estão cheias de mendigos morando debaixo delas… não tem lugar para casalzinho apaixonado! Então, é preciso vermos e entendermos as coisas à luz da Sabedoria e questionar o que está sendo feito do relacionamento! A proposta de um casamento deve ser a estabilidade, não só financeira, mas, principalmente emocional! A pessoa que não serve para ser parceira, melhor amiga, companheira, confidente, apoiadora, nem ombro amigo após um dia exaustivo no trabalho, por melhor que seja na cama durante os primeiros encontros, NUNCA será a pessoa para dividir a vida com você! Isso é óbvio! No mundo em que vivemos, onde sexo pode ser encontrado num anúncio de classificados ou conseguido pela internet, banalizar o casamento, achando que o SEXO é determinante do sucesso de uma vida a dois é, na melhor das hipóteses, uma imensa imaturidade, para não dizer TOLICE!


Pensem, questionem, reflitam! Assim age quem é maduro, consciente e, acima de tudo: um bom buddhista!


Fiquem todos em Paz e protegidos!


Wù Hǎi Shīfù

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