YOM KIPPUR – O DIA DO PERDÃO JUDAICO



Sukhí Hôtu!


Ao anoitecer deste 27 de setembro (20), judeus do mundo todo entram em um profundo jejum de 24 horas, no qual nem ao mesmo água pode ser ingerida. A prática, que pode parecer radical para a maioria das pessoas, vem se repetindo através dos tempos e tem um objetivo muito bem definido: parar e refletir sobre as próprias ações.

Dentro do estrito código de Tradições Judaicas, essas 24 horas onde a fome faz o praticante parar e pensar sobre seus erros, é a forma que o judaísmo determinou para fazer os praticantes dessa religião se arrependerem de seus maus atos, purificarem a “alma” e, nesse estado de limpeza e pureza, realmente iniciarem um novo ano, deixando para trás tudo o que fizeram de errado.

A Data do Yom Kippur (Dia do Perdão), todos podem dizer, nada tem a ver com Buddhismo. Será mesmo que não? É bem verdade que um período tão longo de jejum, embora exista no Buddhismo, não é uma prática comum, nem adotada por todas as diferentes tradições buddhistas. Também é verdade que não reverenciamos a nenhum deus, nenhuma figura superior a nós a quem devamos prestar contas de nossas ações e pedir perdão. Até mesmo o conceito de “pecado” inexiste no Buddhismo, onde somos responsáveis pelo bom e mau karma que praticamos.

Mas, o que há em comum entre o Yom Kippur e o Buddhismo é a necessidade de refletirmos sobre nossas ações, de nos avaliarmos e tomarmos consciência de que erramos e devemos nos tornar pessoas melhores, ainda que não seja para que “Deus escreva nossos nomes na página do Livro da Vida” como creem os judeus.

Perdoar é um ato nobre. Perdoar a quem nos causou mal, perdoar a quem nos prejudicou e ofendeu. Isso é uma atitude que, no Buddhismo chamamos de NOBRE e, ao praticarmos o perdão, estamos certamente agindo de acordo com o que o Buddha nos orientou.

O Buddha também enfatizou outro aspecto importante da reflexão sobre nossos próprios atos – perdoar a si mesmo! Muitas pessoas, ao longo da vida, carregam nos ombros profundas mágoas e culpa por ações praticadas por elas mesmas. Não são capazes de, durante a caminhada pela existência, deixarem esse peso cair, entendendo que já não lhes pertencem. A leveza de perdoar a si mesmo é importante para amenizar a dificuldade de caminhar pela vida e as pessoas deviam se lembrar disso com mais frequência.

Não se trata de perder o senso de vergonha, de repetir várias vezes os mesmos erros, achando que sempre são perdoáveis. Não! Perdoar a si mesmo deve sempre ser fruto de uma profunda reflexão e, acima de tudo, resultar no firme propósito de não repetir o erro, de se corrigir e passar a agir corretamente, dentro da ética, da moral, da pureza mental, conforme está estabelecido nos Cinco Preceitos que o Buddha nos deixou como guia de nossas vidas.

O Buddhismo não tem um “Dia do Perdão”. Para nós, a Atenção Plena em tudo o que fazemos já deve incluir o perdão, tanto aos que nos magoam e ferem, quanto a nós mesmos. Ainda assim, é bom que nós olhemos a prática judaica com o respeito que merece, não apenas como uma religião, diferente de nossa crença que faz algo que as pessoas achem radicalismo, mas como um exemplo de que devemos nos lembrar que todos nós erramos e o quanto é nobre ser capaz de deixar ir o peso da culpa, o rancor, a amargura que as ofensas alheias nos causam, tanto quanto as que causamos a nós mesmos.

Que possamos todos perdoar, mais que esperar sermos perdoados. Afinal, a iniciativa partindo de nós mesmos, sempre trará bons resultados e mais imediatos.

Fiquem todos em Paz e protegidos!


Ajahn Sunanthô Therô




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